L.A. Noire

Em cerca de uma hora e meia de apresentação fechada da produção da australiana Team Bondi (conhecida por seu trabalho na série The Getaway), é fácil notar que o foco do jogo não está na ação desenfreada ou mesmo no formato de mundo aberto e caos que isso pode proporcionar – isto é, nada de sair atropelando pessoas a esmo como alguns jogadores de GTA fazem: por mais que estes elementos estejam presentes no jogo -, jogadores que curtem elementos de investigação – trabalho de detetive mesmo – estão prestes a ter seus desejos atendidos.

Semana passada, fui a NY conhecer a sede da Rockstar Games e ver esta prévia de L.A. Noire. Particularmente, entrou na lista de jogos que quero no lançamento. Veja a íntegra do artigo originalmente publicado no Arena Turbo a seguir.

Sexta-feira, duas horas da tarde, temperatura ambiente entre zero e oito graus negativos. É até curioso imaginar que a razão por trás da visita do Arena Turbo à sede da Rockstar Games, em Nova Iorque, tenha sido para uma sessão de L.A. Noire – jogo para PlayStation 3 e Xbox 360 ambientado na costa oposta dos Estados Unidos, com um clima aparentemente ensolarado.

Após esperar um bocado na recepção repleta de máquinas de fliperama (incluindo clássicos como Ms. Pac-Man e Galaxian), estações com os consoles nos quais suas produções foram lançadas (Bully, Manhunt 2 e Table Tennis entre outros) e um gabinete super estiloso com The Warriors (com direito aos símbolos das gangues icônicas do filme “Selvagens da Noite” recriadas no jogo), havia chegado a hora de ver este título que quebra um bocado com o que se espera de um jogo da produtora de Grand Theft Auto e Red Dead Redemption. O que os jogadores podem esperar no jogo a ser lançado em 17 de maio na América do Norte e 20 de maio na Europa?

Tensão na costa oeste

Ambientada na Los Angeles de 1947, a aventura põe o jogador no controle de Cole Phelps (interpretado por Aaron Staton, conhecido por seu personagem Ken Cosgrove na série televisiva “Mad Men“), recém-ingressado na força policial da cidade. Vale notar que era uma época violenta na qual os soldados que serviram e sobreviveram à Segunda Guerra Mundial estavam voltando para os Estados Unidos – Phelps sendo um destes -, e que não era comum vermos soluções para males como o transtorno por estresse pós-traumático… sem contar, naturalmente, os bandidos e facínoras de sempre.

Em cerca de uma hora e meia de apresentação fechada da produção da australiana Team Bondi (conhecida por seu trabalho na série The Getaway), é fácil notar que o foco do jogo não está na ação desenfreada ou mesmo no formato de mundo aberto e caos que isso pode proporcionar – isto é, nada de sair atropelando pessoas a esmo como alguns jogadores de GTA fazem: por mais que estes elementos estejam presentes no jogo -, jogadores que curtem elementos de investigação – trabalho de detetive mesmo – estão prestes a ter seus desejos atendidos.

RKO apresenta…

A missão apresentada, “The Fallen Idol”, tem seu nome apresentado como um letreiro de filme da época sobreposto na tela. Os representantes da Rockstar afirmaram que esta é uma das primeiras das prováveis 30 missões – o número final de casos principais ainda não foi estabelecido – a serem resolvidas pelo jogador. Após receber um chamado, Phelps e seu parceiro da vez vão para a cena do crime, na qual um carro tinha sido empurrado de um barranco, quase caindo na rua.

Como um bom detetive, vale a pena investigar a cena do crime primeiro. O jogador pode conversar com outros policiais na localidade para obter informações, além de examinar objetos encontrados no local. Com o objeto em mãos, o jogador pode controlar com o gamepad para mexê-los e analisar mais detalhes, o que pode levar a novas pistas a serem usadas na investigação. Felizmente, Cole está munido de um caderninho no qual os detalhes de suspeitos, objetos e eventos são anotados automaticamente.

As respostas estão na cara

O elemento que mais impressiona ao vermos L.A. Noire rodando é a animação facial. O sistema MotionScan, que usa um conjunto de câmeras para capturar as nuances de movimento dos atores, gera resultados impressionantes em se tratando de astros virtuais. Isto fica mais claro quando chega a hora de interrogar os suspeitos, sequência de grande importância nas missões. Até mesmo nos detalhes menores – durante a demo, um mafioso fez uma interjeição de escárnio ao ouvir um comentário que não levou a sério, e parecia coisa de gente real – o MotionScan causa uma ótima impressão.

Além do que é colhido na busca por provas, a atenção do jogador nos trejeitos da pessoa – como desviar o olhar, titubear na hora de falar – é essencial para que Cole reaja acreditando, questionando ou apontando a mentira. O jogo terá um elemento leve de reputação baseado em se manter no lado certo da lei (nada de sacar armas aleatoriamente, atropelar pessoas, e por aí vai) e na melhor resolução dos casos ao reconhecer se um suspeito fala a verdade ou não.

Claro que as missões não são baseadas somente na investigação e bate-papo; vez por outra há o combate mano a mano e a troca de tiros, com o onipresente sistema de cobertura e saúde regenerativa. De acordo com a Rockstar, algumas missões serão mais concentradas em um dos determinados aspectos: algumas terão mais investigação, outras mais interrogatório e perseguições e tiroteios também.

“Sempre teremos Los Angeles”

A versão apresentada não era a mais recente, com o ocasional errinho aqui e ali,mas é aquilo: deixemos de lado as bobeiras como cenários que se montam repentinamente, e esperemos ver isto em sua versão finalizada em maio. No entanto, a impressão que fica em se tratando da animação de personagens é que a falta do uso de soluções como o RAGE e Euphoria deixaram os movimentos de personagem um pouco mais quadrados.

Talvez estejamos mal acostumados, ou até mesmo a disparidade com a acuidade visual dos rostos graças ao MotionScan crie este contraste exagerado. Mas uma coisa parece certa: há um grande esmero por parte das duas empresas ao tentar recriar a metrópole nos anos 40, o clima da época – e, naturalmente, aquelas referências bacanas: tiradas de chapéu ao cinema clássico como “O Falcão Maltês”, “Intolerância” (este é mais antigo, mas vá lá) e “Curva do Destino”, casos de polícia como o da Dália Negra…

Tudo isto soma para uma aventura de andamento mais suave, mas nem por isso mais tranquilo. Afinal de contas, Hollywoodland não é feita apenas de sonhos – se tanto, há mais pesadelos do que se imagina por trás dos holofotes, maquiagens, estúdios e cenários falsos…