Arnaldo Branco

Arnaldo Branco é, sem dúvida, um sujeito multitalentoso. Perigando soar como a Marília Gabri Herpes do Pânico na TV, apresento-o a você como desenhista, chargista, quadrinista, cronista, roteirista, colunista e flamenguista. O criador do Capitão Presença, herói supremo dos canabistas, também curte videogames – nem mesmo o fato dele estar preso há seis meses no inverno russo de Medal of Honor: European Assault o faz desanimar, não mesmo! 🙂

Inverno Russo, por Arnaldo Branco

Rio, 40+graus: reconstituição da cena do crime

Marcando presença (sem trocadilho) como o primeiro convidado do 5-Hit Combo a não estar diretamente ligado à indústria dos games, Arnaldo Branco compilou uma lista de cinco histórias em quadrinhos que ainda não têm versões para videogame, mas que bem que mereciam. Vamos a elas!

Deathlok

1) Deathlok: “É um ciborgue, um personagem lado B da Marvel, criado nos anos 70. Parece que só saiu uma história no Brasil, nos anos 80, na revista Heróis da TV, mas tenho a impressão de ter lido mais, porque achei o personagem muito bem desenvolvido, com sua luta para não perder a humanidade – embora seja um dos poucos a fazer isso na história, já que vive em um futuro pós-guerra nuclear com canibais dando rolé. Achava bacana porque ele discutia direto com o computador instalado em sua cabeça, e como o Robocop (criado depois, sempre achei que rolou uma inspiração aí) não podia cometer suicídio porque não estava programado para isso. Se não me engano, ele era negro, provavelmente criado na onda da blaxploitation que a Marvel surfou na década de setenta, com personagens como Pantera Negra e Luke Cage. Daria um puta jogo em primeira pessoa (imagino o jogador tendo que combater inimigos e sua própria mente).”

Krazy Kat

2) Krazy Kat: “Se não foi a primeira (criada em 1913), foi a mais poética tira sobre a eterna luta entre gato e rato – porque o gato era apaixonado pelo rato, que retribuia atirando tijolos na sua cabeça. Perseguindo os dois, um guardinha tipo Keystone Kapers, que odiava o rato por ciúmes de Krazy Kat, sua paixão. Tudo isso na paisagem lunar de um lugar mutante chamado Coconino County (parece que era inspirado na cidade homônima onde George Harriman, o criador da tira, tinha uma casa). Só a descrição me lembra jogos como Mario, mas a coisa é toda ainda mais psicodélica.”

Squeak the Mouse

3) Squeak The Mouse: “Também um quadrinho de gato e rato, mas aqui eles se odeiam mesmo, chegando a matar um ao outro – inutilmente, porque a saga deles segue com o gato zumbi voltando para tirar a forra. Como muitos aqui no Brasil, conheci esse personagem do Massimo Mattioli através da revista Animal, excelente deformador de mentes que circulou no final dos anos oitenta / início dos noventa. Seria sensacional um game que misturasse todos os elementos dessa saga – cada capítulo de violência entre o gato e rato era baseado em um tipo diferente de terror, e há citações a Massacre da Serra Elétrica, A Noite dos Mortos-vivos e a filmes pornô hardcore.”

Ranxerox

4) Ranxerox: “Estrela absoluta da revista Heavy Metal, Ranxerox foi a coisa mais chocante que já vi em quadrinhos – talvez tenha sido superado por outras HQs mais recentes (não me ocorre nada agora), mas escaldado pela mistura de pedofilia, ultraviolência e uso de heroína das histórias do robô filho da puta criado por Tanino Liberatore, nunca mais me impressionei com mais nada. Em uma Roma do futuro dividida em setores, todos eles arrasados, circula essa máquina assassina que é puro instinto e vício em eletricidade. Parece que fizeram uma versão para game, mas deve ser ruim – porque se usasse 5% da trama original teria sido proibida para qualquer idade.” [N.E.: Foi isso mesmo – “RanXerox: The Game”  saiu em 1990, e até que mantinha parte de seu teor politicamente incorreto… mas não tanto!]

Badger, o Texugo

5) Badger, o Texugo: “Escolhi ele pelas possibilidades: é um super-herói completamente maluco. Tem sete personalidades, inclusive a de uma garotinha indefesa (imagine o que aconteceria em um jogo se ela baixar no meio de uma porradaria), sofreu abuso na infância e fala com animais. Como disse: MUITAS possibilidades.”

Passando o controle: É isso aí… está claro que que os videogames não precisam ficar relegados apenas aos heróis da Marvel e DC, não é? Quais personagens das histórias em quadrinhos você gostaria de ver como videogame?