Lost: Via Domus

Na noite de ontem, a espera pela temporada final de “Lost” terminou — mal posso acreditar que os segredos da série não passam deste ano! Pois é… foram praticamente seis anos de mistérios que abriam a porta para outros enigmas. Pelo menos agora os fãs da misteriosa ilha já sabem que a festa tem hora para acabar.

Em uma grandeza diferente – afinal de contas, o formato dos seriados de TV funcionam de outra maneira – os jogos podem ter momentos parecidos, mas fico curioso para ver quando os videogames terão uma experiência próxima ao que se viu em “Lost”; algo longo, contínuo, abrangente e que prenda a atenção dos fãs, mas em experiências mais compactas.

Se você pega um jogo como Mass Effect – concebido como trilogia; tomando o recém-lançado “Mass Effect 2” como referência, o jogo se aproveita de maneira fantástica dos elementos de seu universo, como as referências cruzadas, pontas soltas e mudanças derivadas das atitudes do jogador no capítulo anterior – é mais ou menos como se cada título abrangesse uma temporada completa. É mais ou menos o que a Microsoft anunciou fazer com Alan Wake: cada jogo equivale a um ano da série.

No entanto, fazer isto pensando no varejo é mole, e é mais uma questão da linguagem escolhida. O Alone in the Dark mais recente – e por que não o próprio Via Domus, videogame licenciado de “Lost”? – já brincava um pouco com o formato, dividindo seus episódios em capítulos, apresentando recapitulações da trama ao carregar o jogo, e por aí vai…

… mas e quanto aos jogos episódicos que tiram vantagem da distribuição por download? Ainda há o que se aprender sobre isto, apesar de avanços já terem sido feitos. O ano de 2006 guarda alguns exemplos e respostas.

Dreamfall

Lançado nas lojas em maio de 2006, Dreamfall – sequência boa ao fantástico The Longest Journey – terminou com um gancho no final que deixou seus jogadores tão pasmos quanto sem respostas; no ano seguinte, a Funcom anunciou que pretende retomar a saga em “Dreamfall Chapters”, série episódica por download sem data confirmada.

SiN Episodes: Emergence

Voltemos a maio, quando a extinta Ritual lançou “Emergence”, o primeiro dos planejados nove SiN Episodes. O que se viu no jogo também remetia ao formato de seriados de TV: a história autossuficiente, mas com uma senhora deixa para capítulo seguinte, cenas do que viria no próximo, e por aí vai. Infelizmente, o projeto morreu na praia quando o estúdio foi comprado pela MumboJumbo, focada nos jogos casuais.

Half-Life 2: Episode One

Ainda no incrível reino do motor gráfico Source, ninguém menos que a própria Valve lançou Half-Life 2: Episode One, marcando o início de uma trilogia que dava uma continuação direta ao desfecho do HL2 original. No entanto, a demora entre os episódios (o segundo só saiu mais de um ano depois, e o terceiro continua sem previsão!) fez com que o caráter “episódico” como o conhecemos no momento caísse por terra.

Enquanto “SiN Episodes” foi para o limbo, outra série voltou dele em outubro: Sam & Max. Algo bom estava para acontecer no reino dos episódicos…

Sam & Max

Após amargar anos de geladeira na LucasArts (que passou muito tempo se dedicando a jogos que tivessem as palavras “Star” e “Wars” no título e deixando tudo mais de lado, como seus adventures clássicos), a Telltale Games lançou o primeiro de seis episódios de “Save the World”. E sim, este nome foi retroativo: antes era só “Season One”, assim como o próximo (renomeado “Beyond Time and Space”) era “Season Two”. Ambos foram lançados em disco depois, com extras e tudo mais… assim como DVDs de seriado!

É por essas e outras que defendo a Telltale como a desenvolvedora que melhor fez uso do formato episódico até o momento. Por mais que os começos de temporada da dupla de cão e coelho tivessem um intervalo grande entre sua estreia e os restantes (estes, sim, mensais), as melhorias graduais entre episódios e temporadas, a atenção aos comentários da imprensa e jogadores, tudo isto garantiu que a proverbial máquina deles rodasse lisinha. Prova disto foram suas séries seguintes, que acabaram trazendo marcas de fora como Homestar RunnerWallace & Gromit e até mesmo o clássico Monkey Island (ironia deliciosa ver a LucasArts anunciando esta parceria…)

A TTG já fez a parte deles com seus adventures de comédia. Ainda assim, reforço aqui minha vontade de ver mais games episódicos usando bem os elementos que fazem com que seriados como “Lost”, “Fringe”, “FlashForward”, e “Heroes” (é, eu ainda assisto, me processem) prendam a atenção dos espectadores em doses mais rápidas – tanto de jogar quanto de obter.

Passando o controle: Que outras séries, seriados de TV e temas você gostaria de ver abordado no formato de game episódico?