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Tuper Tario Tros.: Um pouquinho disso, uma pitadinha daquilo

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Tuper Tario Tros.

Criar um jogo totalmente original é um negócio bem complicado. Claro que sempre vai ter quem queira pegar uma carona no sucesso dos outros, né? No fim das contas, é muito difícil inventar algo do zero e totalmente inovador – e vez por outra acontece dos criadores dos jogos pegarem elementos de jogos diferentes para criar uma experiência um pouquinho fora do esperado. Tem jogo de futebol que coloca estratégia no meio ao incluir um sistema de gerenciamento dos seus atletas e do clube, é jogo de tiro que inclui exploração e conversa com outros personagens no lugar de só meter chumbo na galera…

Claro que sempre há o ocasional cara-de-pau, que vai copiar na maior cara-dura e não quer nem saber. Normalmente, é difícil que estes se criem nos jogos vendidos em lojas – que empresa vai querer tomar um processo na cabeça? – então ver estas criações online é mais provável. E para dar um exemplo pra lá de exagerado, trago a vocês um jogo que mistura elementos de dois clássicos dos videogames: Super Mario Bros. e Tetris. Dois jogos tão diferentes, um de plataforma e outro de quebra-cabeças, em um só? É isso aí.

Conheça Tuper Tario Tros. (falei que era descarado, não?), que coloca o jogador no controle do mascote de bigodão da Nintendo – e que com o apertar de um botão, vira aquele puzzle que dispensa apresentações: basta fazer isto e jogar um pouco dos blocos no chão para criar e apagar novas plataformas onde Mario poderá subir. Viu o que eu digo quando só dá para ver estas coisas online?

por Pedro Giglio
– daqui a pouco vão misturar jogo de corrida com simulador de namoro…

Every Day The Same Dream: Comece 2010 quebrando a rotina!

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Every Day The Same Dream

Feliz Ano Novo, galera! Todo réveillon costuma trazer aquelas listinhas de mudanças para o próximo ciclo da Terra em volta do Sol, né? É gente que quer arrumar novo namorado, se casar com sua noiva, mudar de apartamento, trocar de emprego, viajar mais, e por aí vai… Enfim, o novo ano é para trazer mudanças — e siga-as, de preferência.

E uma das minhas mudanças é voltar a postar aqui no blog da Kenner, é claro — sempre trazendo os jogos mais interessantes e curiosos da web. O primeiro jogo que vi pode ter um clima meio contemplativo (e até mesmo um tanto triste), mas é interessante porque faz pensar em vários aspectos… Seja na maneira de jogar, como na mensagem que os criadores querem passar.

Você já vê que o nome sugere algo repetitivo: Every Day The Same Dream. Sabe quando você entra naquela repetição do dia-a-dia, aquela rotina pra lá de chata, e parece que você está preso neste ciclo? Pois é, este jogo é bem nesta onda: todo dia o mesmo sonho. É aquilo: você pode fazer a mesma coisa de sempre: desligar o alarme, vestir o terno, dirigir, chegar ao escritório e se sentar à mesa, enxague e repita todo dia.

E se você precisasse quebrar o gelo e mudar as coisas? Esta é a graça de Every Day The Same Dream: explorar as possibilidades de quebrar a rotina e tentar ver que há mais do que isso na vida. Como eu já adiantei, o clima é um pouquinho triste… Mas contanto que te faça pensar na vida e como valorizá-la, acho que tá bom, né?

por Pedro Giglio
– também tem várias mudanças na fila, menos a última deste jogo

Sarien.net: Jogue adventures clássicos na web

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Sarien.Net

Minha primeira exposição aos jogos de computador aconteceu quando eu tinha uns 8 anos, indo à casa de um amigo meu do colégio e vendo alguns jogos do gênero adventure… mais especificamente, King’s Quest, da Sierra. Na época, movimentando um bonequinho pra lá de simplório, o negócio envolvia a digitação dos verbos e comandos para as ações (“get sword”, “drink potion”, essas coisas). E por conta disso, tenho certeza que tive uma motivação a mais para aprender Inglês. Jogo na tela, dicionário do lado, paciência e vontade de sobra.

Muitos anos depois, um grupo de fãs montou um site chamado Sarien.net , que oferece versões gratuitas em Flash de certos clássicos da Sierra… com algumas curiosidades a serem levadas em consideração: uma delas é o lance da lista de verbos e opções estar convenientemente disposta em um menu com mouse e tudo mais; a outra é completamente insólita para quem jogou os originais… o foco do gênero adventure nunca foi jogar com muita gente – e é aí que entra a curiosidade em esbarrar com outros jogadores que estiverem jogando o mesmo game escolhido.

Então está aí sua chance de conferir alguns clássicos de graça na web – mesmo porque muitos deles estão indisponíveis no mercado, e até os criadores dos jogos curtiram a ideia de suas criações serem imortalizadas de uma forma ou outra – além de dar aquela treinadinha no Inglês, é claro…

por Pedro Giglio
– ainda tem doces lembranças de Eve ao final de Leisure Suit Larry

Super Chick Sisters: frangos em frangalhos

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Super Chick Sisters

Em 2007, a PeTA – organização norte-americana que defende o tratamento ético dos animais – lançou um joguinho em Flash chamado Super Chick Sisters. Na rebarba do lançamento de New Super Mario Bros. para o DS, o joguinho foi lançado para denunciar os maus-tratos de uma rede de fast food especializada em carne de frango.

Cara-de-pau e sátira à parte, até que o joguinho era divertido – e ainda por cima tinha Pamela Anderson, que dispensa apresentações, como a princesa do jogo (sabe como é, ela é ativista da organização).

New Super Chick Sisters

Dois anos depois, a organização lança outro petardo (com trocadilho) subindo na garupa do lançamento do mais novo jogo do bigodudo, New Super Chick Sisters também vem defender os pobres frangos deste mundo – só que desta vez, o alvo é uma certa rede de lanchonetes com palhaços e arcos dourados. E ainda por cima, o encanador italiano lamenta estar ocupado demais jogando futebol, tênis, correndo de kart, etc…

Sutileza pra quê, né?

por Pedro Giglio
– ontem foi aniversário de Shigeru Miyamoto, pai do Mario – aquele mesmo

You Only Live Once: Aproveite, que a vida é só uma

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

You Only Live Once

Desde o comecinho da história dos videogames, há um elemento que já consideramos parte integral da experiência: vidas extras – e com o tempo, os continues. Vá lá, vários jogos recompensam aqueles que conseguem vencê-los de uma tacada só, sem precisar dos continues… mas ainda assim, se esses lances existem, é porque há quem use (e ninguém é obrigado a ser um mestre supremo em algum jogo de primeira, né? Treinar nunca é demais!). Mas… e se existisse um jogo onde só tem uma vida – isto é, morreu, acabou?

Pois é, You Only Live Once é bem nessa onda. O nome diz tudo, né: “você só vive uma vez”. Tente ver o quanto você consegue chegar longe para resgatar a moça do Lagarto Rosa maligno que é o vilão do jogo… mas se prepare, que o jogo não é muito fácil. Ah, sim. Se você não conseguir, clique na opção de “continuar”.

“Mas o jogo só tem uma vida, sua besta!”, alguns de vocês dirão.

E eu respondo: “clique na opção de continuar”, sempre. 🙂

por Pedro Giglio
– quer saber quem foi o gaúcho de raiz que traduziu o jogo pra Português

Where’s An Egg?: Palavras pra quê, hein?

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Where's An Egg?

O desenho animado online Homestar Runner é cheio de referências divertidas aos anos 80 e 70, e vez por outra os estilos de jogo destas épocas são citados. O lance é que os criadores (Matt e Mike Chapman, que assinam “The Brothers Chaps”) parecem completamente apaixonados pela cultura gamer de todas as eras, e chegaram ao ponto de criar um selo fictício para criar pequenas homenagens aos joguinhos das antigas: o Videlectrix.

Das capinhas e manuais de mentira para jogos que nunca existiram, os irmãos Chapman desenvolveram joguinhos em Flash que imitam as eras do Atari, Vectrex e outros sistemas antigões… mas um dos que eu achei mais intrigantes o malucos é Where’s an Egg?, porque chuta pra escanteio a necessidade de qualquer palavra escrita para passar sua mensagem. Afinal de contas, o jogo está escrito no alfabeto cirílico – isto é, como se tivesse sido criado na Rússia… e provavelmente não significa nada.

Este jogo de detetive requer que o jogador vasculhe a cidade à procura do ovo. Pra isso, o herói precisa interrogar as pessoas pela cidade, tentando descobrir que lugares devem ser visitados para descobrir quem diabos deu chá de sumiço no ovo. O herói do jogo tem uma pistola com três tiros, aí cabe ao jogador decidir quando as testemunhas estão mentindo ou não… e tudo isso precisa ser decidido ao usar só dicas visuais, sem uma palavra, quebrando um pouquinho a barreira da linguagem.

E aí, em quanto tempo você conseguiu encontrar o ovo?

por Pedro Giglio
– já achou o ovo de primeira, e jamais conseguiu novamente

The Unfair Platformer: relaxe – poderia ser bem pior!

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

The Unfair Platformer

À medida que o fim do mês se aproxima, você sabe que o dinheiro está acabando, a próxima leva de contas de casa está pra chegar, e bate aquele desânimo. Se o salário ainda não tem previsão de cair, então, putz… é a maior tensão no ar! Ainda mais perto do fim do ano, com Natal e tudo mais. Multiplique isso por um zilhão se você está sem emprego!

Mas como a Polyanna dos livros, sabe como é: precisamos ver o que há de bom nisso tudo. Se é verdade ou não, são outros quinhentos. Mas não seja ingrato, e pense que poderia ser muito pior. Quer uma prova disso? Imagine-se na posição da heroína de The Unfair Platformer.

Na boa: o povo da Eggy’s Games não deve ter mãe (sei lá, nasceram por meiose ou geração espontânea), deve ter levado vários “cuecões” na época do colégio, porque só assim para criar um jogo de plataforma tão injustamente difícil e engraçado. Repare nas cores da roupa da menina: verde e amarelo. Seja como ela e não desista nunca!

(ah, sim, a música soa familiar por uma razão: é a mesma de um jogo do Sonic)

por Pedro Giglio
– se a vida fosse um videogame, que fosse para ter “autosave” e “continue”

 

Don’t Look Back: O que a gente não faz por amor?

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Don't Look Back

A mitologia grega é um tema bastante de utilizado nos videogames (não só neles, mas beleza). Dá pra perder a conta de quantos jogos já se inspiraram, direta ou indiretamente, neste rico universo. Indo da pureza de um Kid Icarus à truculência da série God of War, do clima tenso de Rise of the Argonauts à aventura escaldante de NyxQuest, qualquer pessoa que curta um bocado do grupo dos elaborados heróis do Olimpo tinha boas escolhas na hora de jogar.

Outro dia, um amigo meu me repassou um link para Don’t Look Back, joguinho de autoria de Terry Cavanaugh que me pegou de surpresa: com um visual pra lá de simples – bonequinhos quadradões e pixelados, tiros que não passavam de tracinhos, e econômico que só nas cores – o que este jogo tem de minimalista, tem de desafiador. Mesmo sendo uma experiência curta, dá pra entender direitinho o que acontece (mesmo com os gráficos simplórios), e a dica para quem passar do meio do jogo está em seu nome: “não olhe para trás”

Para quem jogou inteiro e / ou não conhece a história de origem – ou não se importa se eu estragar o final dela – veja o texto logo abaixo da imagem… [N.E.: isto é, daqui pra frente pode ser spoiler]

Pois é, o lance de “não olhar para trás” vem do mito grego de Orfeu, que desce ao submundo para resgatar sua amada Eurídice. Ao conseguir encontrá-la, ele aceita a proposta de levá-la de volta ao mundo dos vivos… mas Hades e Perséfone o deram uma condição: que ele caminhasse à frente dela e não se virasse para trás para observá-la, senão ela desapareceria de uma vez por todas.

A maneira como este mito se desenrola está aberto à discussão, mas a ideia básica era essa… até onde o herói iria para reaver sua amada.

por Pedro Giglio
– perdeu a conta de quantas vezes viu a pobre Eurídice desaparecer

Pedro e o Chip: Cara, cadê meu chip?

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

Pedro e o Chip

A esta altura do campeonato, muita gente deve saber o que é um meme de Internet – outras podem até não saber pelo nome, mas certamente já foram expostas a algum destes. Pode ser a gaga de Ilhéus, a Ruth Lemos e seu sanduíche com eco, ou até mesmo o infame trote do Pareto, que vem de muito antes da net. O termo “meme” é emprestado do livro O Gene Egoísta, de Richard Dawkins, e significa um pedaço de informação passado de pessoa para pessoa – como os genes na genética. Na Internet, a coisa é meio assim mesmo: você recebeu de um amigo, que por sua vez recebeu de outro, e por aí vai.

Um dos memes brasileiros mais recentes foi o caso do Pedro e o chip, que rolou no YouTube. O morador de um prédio usou uma câmera para filmar a tentativa desesperada desta moça em reaver um chip de celular – e o que estaria nele? Números de telefone? Fotos comprometedoras?… não contente em se esgoelar madrugada adentro, ela ainda foi zoada pelo cinegrafista amador, perdendo totalmente a esportiva e ganhando fama na Internet, mesmo sendo uma voz (alta pra caramba, inclusive) sem rosto.

E como toda boa piada que foge do controle, várias “homenagens” a este caso foram feitas na Internet, indo de montagens de funk com a gravação das frases da pobre coitada… e é claro que, em algum momento, alguém faria um jogo em Flash baseado nisso. Será que desta vez ela consegue o tão cobiçado chip, ou vai continuar gritando até perder a voz?

por Pedro Giglio
– informalmente, “schadenfreude” = “pimenta no dos outros é refresco”

Daniel Benmergui: Experimentalismo pode ser bom

[post originalmente publicado no Kenner Blog]

De uns tempos pra cá, ter um videogame em casa virou algo bem comum – mas tem uma coisa na qual pouca gente se liga: nem sempre os criadores dos jogos que você vê nas prateleiras das lojas têm a chance de criar algo absolutamente inovador. Claro que boa parte deles tenta garantir aquele diferencial que vai fazer o cliente comprar seu produto, e não o do vizinho… mas seja pela pressão do mercado em criar coisas parecidas com as que fazem sucesso, às vezes fica difícil deixar a mente viajar demais.

Felizmente, os jogos por download estão aí pra isso: enquanto alguns são variações de temas conhecidos, existem algumas produções na web – e outras por download, oferecidas de graça ou a um precinho bem mais camarada – que fazem o que os peixes grandes da indústria dificilmente têm a possibilidade de fazer. Um destes game designers é Daniel Benmergui, que libera suas criações na Internet – e que enquanto não parecem muito pretensiosos, têm ideias bem interessantes.

O primeiro jogo dele que conheci foi I Wish I Were the Moon, onde apontar com o mouse e marcar um botão cria uma fotografia. O que estiver na foto pode ser trocado de lugar na tela, criando até oito finais diferentes para esta curioso triângulo amoroso entre um rapaz, uma moça e a lua. Tente tirar uma foto do carinha na lua e mova-o pra canoa para ver um deles. Veja se consegue descobrir os outros sete!

O outro jogo dele que é um dos meus favoritos do ano é Today I Die, onde o jogador modifica os elementos do cenário ao trocar as palavras marcadas em um poema. Bacana que o jogo tenha sido traduzido e adaptado para vários idiomas, inclusive o bom e velho Português. Lembre-se que vale interagir tanto com o herói quanto com os inimigos e elementos do cenário. Não é o tipo de jogo que se vê com frequência, né?

Enfim, vale dar uma vasculhada no site do Daniel, que tem mais conceitos bacanas, como StoryTeller – historinha customizável em três atos envolvendo dois rapazes e uma moça num reino medieval de fantasia – e Night Raveler and the Heartbroken Uruguayans, que envolve ligações humanas e suas consequências.

por Pedro Giglio
– mesmo sendo fã dos clássicos, curte pensar fora da caixa