Posts marcados com Livro

Vivendo nas entrelinhas

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Braid
[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Novamente, o bom e velho “garimpo cultural” ao qual já me referi algumas vezes aqui no blog rendeu bons resultados. A mais recente obra a que fui apresentado através de outra fonte foi o livro “As Cidades Invisíveis” (“Le Città Invisibili”), de Italo Calvino. Desta vez o “culpado” é o game designer Jonathan Blow, criador do belíssimo Braid, que tive a oportunidade de entrevistar neste ano.

Italo Calvino

Enquanto o game de Blow tratava de forma lírica e lúdica o inalcançável, o idealismo e a falsa memória, o livro de Calvino retrata de forma poética e com tom de “road trip” os relatos do navegador e comerciante Marco Polo ao imperador asiático Kublai Khan, descrevendo ao regente cidades tão fantásticas e únicas — todas com nomes femininos, alguns mais típicos do que outros — quanto passíveis de dúvida e credibilidade em relação a realidade de cada uma.

A sugestão da orelha do livro, ler com calma cada capítulo, é justificada: por mais que cada uma das 55 cidades apresentadas sejam descritas em cerca de uma a três páginas, as surpresas e interpretações por elas mesmas fazem tal dica valer. Seja a cidade construída pelos homens que tiveram o mesmo sonho de uma bela mulher nua correndo pela rua, passando por outra que tem um fio de felicidade em meio a uma vida aparentemente triste, e chegando a outra construída sobre o mar, assim tendo seus habitantes e ações repetidas em outra perspectiva, há toda uma variedade de cidades interessantes a serem conhecidas.

Servindo de considerações sobre desejo, morte, vida, fronteiras, tempo e memória, as localidades descritas pelo Polo de Calvino são interessantes e estão lá para serem interpretadas e sentidas de formas diferentes por cada leitor… e dão a impressão que uma cidade sozinha também guarda várias facetas por si só.

Games e televisão nos tornam mais espertos, e não é surpreendente

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[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero e cedido ao TeleSéries]

No mês passado, fui o vencedor de uma promoção organizada pelo blog WarpZona e ganhei o livro “Surpreendente! A TV e o Videogame Nos Tornam Mais Inteligentes” (“Everything Bad Is Good For You: How Today’s Popular Culture is Actually Making Us Smarter”), de Steven Berlin Johnson. Apesar do título pouquíssimo inspirado da edição brasileira, a leitura é bem interessante.

O autor traça uma série de teorias bem interessantes sobre os assuntos em questão, comparando séries como Starsky & Hutch: Justiça em Dobro, Hill Street Blues, Plantão Médico e Família Soprano — em ordem progressiva de complexidade — e como os jogos se tornam envolventes mesmo se seus objetivos básicos soem extremamente simplistas… tipo, não dá para resumir uma seqüência de The Legend of Zelda a um simples “ache um objeto, explore um calabouço, use-o para derrotar o chefão da vez”.

Particularmente, tenho a impressão que vivemos em uma era cultural muito interessante: o esmero, grandiosidade (e por que não “pretensão”?) de certas obras contemporâneas — como Lost, por exemplo — oferecem muito mais do que os esperados 40 minutos de entretenimento por episódio. Assim como nos jogos — Metal Gear Solid vem à mente — há um grande e consistente universo para quem se dispuser a acompanhá-lo, interpretá-lo e entendê-lo. E mesmo outras obras isoladas no mundo dos games, como Killer7 e BioShock, oferecem tramas densas e provocantes o suficiente para garantir uma sobrevida monstra em se tratando de bate-papos e teorias pelos fãs.

Isto porque nem cheguei a comentar as ações virais de publicidade, como a campanha I Love Bees para Halo 2, o site institucional da Dharma Initiative e os contatos da Primatech Paper… só é uma pena que nem todos estes sejam fáceis de acompanhar por morarmos no Brasil, mas paciência. Nada que desmereça este trabalho de tornar as obras maiores do que elas aparentemente se propuseram a ser. É uma boa época para quem gosta de botar a cabeça para funcionar enquanto se diverte.

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