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Jigu

o blog de jogos de Pedro Giglio

13/09/2008 | Jigu

Vãos na comunicação online, Spore e a lei de Poe

[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Por mais que a comunicação online seja uma parada extremamente útil e conveniente, os vãos entre mensagens e a falta do tom de voz abrem (ainda) mais precedentes para desentendimentos épicos… Digamos que alguém cai na asneira de discutir algo sério relacionado ao namoro via MSN, GTalk, etc… e você enviou uma frase do tamanho de um bonde. Do outro lado do monitor, quem estiver lendo terá tempo de assimilar o texto, e o lance da falta do tom de voz aumenta bastante a chance disso ser interpretado de forma errada.

Enfim, nessa brincadeira a chance do primeiro esclarecer qual era o contexto da primeira frase foi pra vala, já que a resposta irada para o comentário normal já está sendo digitada, e daí qualquer chance de diálogo naufraga miseravelmente. Aí, amigos, nem um smiley ou emoticon da vida salva a situação: já vão achar que é de desdém, ironia, etc… é um crescimento exponencial de gente tentando se explicar e brigando para demonstrar seu ponto de vista que, sinceramente, poderia muito bem ter sido evitado por falar isso ao telefone. Naturalmente, isso varia de pessoa pra pessoa, e isto não é uma coisa restrita aos papos online — só o “gap” entre mensagens que potencializa isso.

Por outro lado, a Internet não cansa de me divertir em relação a estas más interpretações: recentemente, um site declarou toda sua ira contra o jogo Spore — do criador de SimCity e The Sims — dizendo que batia de frente com os valores cristãos, forçando a criançada a acreditar na evolução no lugar do criacionismo, este tipo de coisa. O negócio parecia tão forçado que minha reação foi “isso não pode ser sério”. E no fim das contas, não era sério mesmo: a autora do site postou uma mensagem que foi encerrada com a letra de “Never Gonna Give You Up”, clássica das pegadinhas em vídeo online, para comprovar que tudo era uma brincadeira elaborada.

Fico pasmo com a quantidade de gente que ainda comenta a parada como se fosse verdade — tipo, as pessoas sequer leram a mensagem, qualquer pessoa com meio cérebro funcionando teria entendido que foi uma pegadinha se lesse o post na íntegra. Mas nããããão… como bem disse a autora do site, a lei de Poe nunca falha: sem um smiley ou algo descaradamente declarando que é sátira, vão achar que é sério.

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22/10/2007 | Jigu

Moneyhat vibrations!

Money hat: que dureza.
[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Infelizmente (ou felizmente, dependendo do seu ponto de vista), um dos assuntos que pintou nos debates do BarCamp Rio foi a monetização, vista com péssimos olhos e tema que deveria ter ficado de lado no evento. Mesmo assim, uma pergunta por alguém do auditório na palestra do Edney — que comentou o acontecido — e do Inagaki sobre o case InterNey Blogs. O fator “chapéu de dinheiro” veio à tona quando se questionou como fica a credibilidade do autor quando se trata de um post patrocinado, resenha paga ou coisa do gênero.

Vamos pegar um exemplo do meu metiê. Eu já me desfiz loucamente em elogios ao jogo Team Fortress 2 aqui, e não ganhei um centavo por isso (aliás, muito pelo contrário, paguei — e com gosto — pela Orange Box). Beleza. Aí digamos que eu decida fazer dinheiro com o Working Class Anti-Hero [risadas efusivas da claque], e aceite fazer resenhas pagas. Aí calha de cair um Crysis da vida no meu colo, eu jogo e acho alucinante — mundo da hipótese, pois o jogo nem saiu, não sei qual vai ser ainda — e me desmancho em elogios ao trabalho dos caras. Sei lá, o que impede meu leitor de achar que meu julgamento da coisa foi afetado por eu receber dinheiro — sim, estaria claro que eu teria sido pago pela resenha como um trabalho — pelo que faço?

É um ponto complicado, se você pensar no assunto. Detesto vestir o uniforme de Capitão Óbvio, mas acho que manter a coerência é vital nestas horas, seja o leitor ou escritor. Sim, sempre vai ter gente questionando — se serve de parâmetro, há quem ache no minifórum do FinalBoss que demos 8,5 para o fantástico Portal “caixistas [fãs do Xbox] estao pagando propina mesmo”. Porque Halo 3 ganhou 10 de 10 pelo conjunto da obra. Sinceramente espero que seja brincadeira, porque:

  1. não faz sentido nenhum, é uma falácia das mais imbecis já vistas por aí;
  2. somos profissionais, e se vendemos nossa opinião ela passa a não valer um grão de arroz.

Mesmo se chegasse um sombrero cheio de verdinhas e uma garrafa de tequila na minha casa, isto não faria um jogo ruim ser bom (ou vice-versa, segundo esta potencial teoriazinha de conspiração destes leitores descontentes ou implicantes… e isto acontece o tempo todo, “mas por que a nota final foi 9,5 e não 9,7?”, etc…).

O mesmo se aplica à discussão apresentada no BarCamp, naturalmente. Agora, se o formato e modelo de negócios usado pelo InterNey Blogs é inovador, ideal, a salvação da lavoura ou não… sinceramente, não é esse o assunto em questão, e prefiro não tocar no mesmo com uma vara de 10 metros.

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22/08/2007 | Jigu

“Inspiração”? Até parece…

[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Outro dia, eu e meus colegas no trabalho estávamos discutindo os bizarros DVDs que, apesar de não serem uma novidade nesse mundo de imitadores, têm aparecido na rebarba dos filmes recém-lançados. Se saiu Carros da Disney-Pixar, moleza aparecer um, dois, TRÊS Os Carrinhos. O exemplo mais recente desta cara-de-pau foi Ratatoing (site oficial, com um incrível trailer) … sim, pegaram a sinopse de Ratatouille e fizeram um longa “animado em 3D”. Daí que o Moco me confirma que o estúdio é brasileiro, e se chama Rexmore. E bingo — o rato do filme mora no Rio de Janeiro. Putz, esse filme ia ser um prato cheio para os adeptos do MV-Brasil. Uma cena mais extensa do rato azulão e carioca pode ser conferida clicando aqui.

Ratatoing: Pura cara-de-pau

Uma semana depois de rir do descaramento de fazer uma cópia chinfrim de um produto que nem eles conheciam, esbarro com o Super Chick Sisters, um joguinho para web endossado pela PETA (People for Ethical Treatment of Animals), organização de pessoas que defendem os direitos e o tratamento ético dos animais e tem como mais notórios inimigos a rede Kentucky Fried Chicken e companhias de moda que usam pele animal em suas roupas.

Tá, mas e o tal Super Chick Sisters? Uma copiazinha marota — até no logotipo — de Super Mario Bros., só que com duas pintinhas de boinas igualmente vermelha e verde. No lugar de Mario, Luigi e Peach, temos quem? Nugget, Chickette e Princess Pam… Anderson! Sim, a loiraça consagrada por seus peit^h^h^h^h trabalhos em séries como Baywatch e uma das celebridades ativistas da PETA virou a princesinha em perigo capturada pelo maligno Coronel Sanders, aquele já que o jogo vem demonstrar os horrores que o KFC faz com suas aves no cativeiro e preparo. Até aí, vá lá, grande iniciativa… mas jogando mais um pouco temos ninguém menos que os próprios Mario (nas versões tradicional e Doutor), Luigi, Yoshi, Peach, além de referências ao Wii. Tudo devidamente encruado na trama para defender os animais, com hilárias cenas como Yoshi se recusando a ajudar Mario.

Super Chick Sisters: Pcó!

É aquilo… paródia é paródia, e até tem respaldo frente a lei… mas daí a usar exatamente a imagem e o nome dos personagens, isso sim é um processo judicial praticamente esperando para acontecer.

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17/05/2007 | Jigu

Microsoft começa a caça às bruxas no Xbox 360

[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Muitos jogadores que têm o Xbox 360 e compraram o jogo Crackdown tiveram um ótimo incentivo por fora: o convite para a fase de testes beta de Halo 3, famosa série de FPS para o console. Só que hoje alguns fóruns de games começaram a entrar em um frenesi daqueles: a Microsoft começou a banir os Xbox 360 que tiveram seus drives de DVD modificados para rodar discos gravados (e por “gravados”, leia-se “piratas”) da Xbox Live. Isto é, aquele console não acessa mais a rede deles; quer jogar online? Foi mal, mas você vai ter que comprar outro console. Te vira.

Xbox 360 banido da Internet.

Cara, é aquilo: nada justifica usar produto pirata. Não tem dinheiro para sustentar a parada? Não compra, então. “Mendigo não compra videogame”, como bem disse um parceiro jornalista de games quando uns e outros tentavam defender a idéia de que “ah, mas eu já compro o console, não tem galho de eu baixar jogo da net”, “não estou dando dinheiro pros pirateiros”, e outros argumentos igualmente capengas. Enquanto imperar a Lei de Gérson, a gente jamais vai ter um mercado forte de jogos aqui no Brasil.

É inegável que o entusiasta de videogames daqui se sinta lesado ao ver tantos impostos exorbitantes na comercialização de videogames daqui, mas na boa: quem sabe comprar direito, compra barato. É só pesquisar. Eu compro meus jogos pela Internet (novos e usados), vez por outra chegam aqui sem tributação — e mesmo se tributam, acaba saindo mais barato do que os preços sugeridos de lojas — e é isso aí. Não preciso ficar jogando e olhando por cima de meu ombro com medo.

Agora… como a vida é repleta de ironias, né? O slogan de Halo 3 é Finish the Fight; um convite pra testá-lo veio no jogo Crackdown (termo utilizado para ação policial de desmantelamento de quadrilhas, etc…); a eliminação de acesso a Live em sistemas que burlaram a lei começa junto com a chegada da tal demo, tão esperada por tantos… coincidência?

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