Posts marcados com Internet é negócio sério
Vãos na comunicação online, Spore e a lei de Poe
0[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]
Por mais que a comunicação online seja uma parada extremamente útil e conveniente, os vãos entre mensagens e a falta do tom de voz abrem (ainda) mais precedentes para desentendimentos épicos… Digamos que alguém cai na asneira de discutir algo sério relacionado ao namoro via MSN, GTalk, etc… e você enviou uma frase do tamanho de um bonde. Do outro lado do monitor, quem estiver lendo terá tempo de assimilar o texto, e o lance da falta do tom de voz aumenta bastante a chance disso ser interpretado de forma errada.
Enfim, nessa brincadeira a chance do primeiro esclarecer qual era o contexto da primeira frase foi pra vala, já que a resposta irada para o comentário normal já está sendo digitada, e daí qualquer chance de diálogo naufraga miseravelmente. Aí, amigos, nem um smiley ou emoticon da vida salva a situação: já vão achar que é de desdém, ironia, etc… é um crescimento exponencial de gente tentando se explicar e brigando para demonstrar seu ponto de vista que, sinceramente, poderia muito bem ter sido evitado por falar isso ao telefone. Naturalmente, isso varia de pessoa pra pessoa, e isto não é uma coisa restrita aos papos online — só o “gap” entre mensagens que potencializa isso.
Por outro lado, a Internet não cansa de me divertir em relação a estas más interpretações: recentemente, um site declarou toda sua ira contra o jogo Spore — do criador de SimCity e The Sims — dizendo que batia de frente com os valores cristãos, forçando a criançada a acreditar na evolução no lugar do criacionismo, este tipo de coisa. O negócio parecia tão forçado que minha reação foi “isso não pode ser sério”. E no fim das contas, não era sério mesmo: a autora do site postou uma mensagem que foi encerrada com a letra de “Never Gonna Give You Up”, clássica das pegadinhas em vídeo online, para comprovar que tudo era uma brincadeira elaborada.
Fico pasmo com a quantidade de gente que ainda comenta a parada como se fosse verdade — tipo, as pessoas sequer leram a mensagem, qualquer pessoa com meio cérebro funcionando teria entendido que foi uma pegadinha se lesse o post na íntegra. Mas nããããão… como bem disse a autora do site, a lei de Poe nunca falha: sem um smiley ou algo descaradamente declarando que é sátira, vão achar que é sério.
Ser blogueiro é dar a cara a tapa
0[Parte de post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]
Escrever e manter um blog é dar a cara a tapa. Várias opiniões já renderam uma série de discussões acaloradas e intermináveis por conta de pontos-de-vista conflitantes… ou mesmo o embasamento falho de uns e outros. Um exemplo disto que aconteceu no meu metiê foi o caso do primeiro trailer do game de terror Resident Evil 5, que foi taxado de “racista” por Kym Platt, colaboradora de um blog coletivo norte-americano sobre consciência negra…
Isto seria muito justo, se Platt não tivesse ignorado por completo — se foi por ignorância do assunto ou conveniência, acho que nem quero saber — o fato dos inimigos serem zumbis; o game não ser direcionado a menores de 18 anos, derrubando a idéia de “estão treinando as crianças para odiarem negros”; o “herói branco” ser o mesmo de outro episódio da série, e que outros jogos da série representavam de forma adequada os monstros humanóides do jogo: americanos do interior (de várias etnias), hispânicos, e agora africanos.
Tudo para defender seu argumento. Naturalmente, ela foi escorraçada pelo povo mais informado, por mais que alguns tenham ficado sob a égide do anonimato da Internet para insultá-la. É caído? É, mas é o preço que se paga por estar na Internet.
Por mais que blogs expressem opiniões pessoais de seus autores em sua maioria, não seria de bom tom pesquisar suas fontes antes para que haja um mínimo de coerência? A não ser, é claro, que você mantenha um blog sobre ficção, humor ou sátira (e mesmo nestes casos, atenção para o que escreve). Na minha opinião, as pessoas devem ser mais responsáveis ao escrever sobre determinados assuntos. Não estou cobrando que as pessoas sejam jornalistas ou professoras em seus blogs, só que o façam com um mínimo de responsabilidade ao escreverem.



