Xbox Live – Jigu http://www.jigu.com.br o blog de jogos de Pedro Giglio Sat, 16 Jul 2016 17:18:18 +0000 en-US hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://i0.wp.com/www.jigu.com.br/wp-content/uploads/2016/09/JiguComBr-Botao-500x500.jpg?fit=32%2C32 Xbox Live – Jigu http://www.jigu.com.br 32 32 33514019 Voice Studio: ajude a agilizar os comandos em português no Kinect http://www.jigu.com.br/blog/2012/06/02/voice-studio-ajude-a-agilizar-os-comandos-em-portugues-no-kinect/ http://www.jigu.com.br/blog/2012/06/02/voice-studio-ajude-a-agilizar-os-comandos-em-portugues-no-kinect/#respond Sat, 02 Jun 2012 19:04:20 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=2382
Converse um pouco com seu Kinect e ele te entenderá

Quando a Microsoft revelou o Kinect, o esquema de controle de voz parecia algo digno de filme de ficção científica – menos do que a interface por movimento, mas vá lá. O lance é que, mesmo com o lançamento oficial do acessório do Xbox 360 no Brasil, a prometida atualização de sistema que incluiria reconhecimento para o nosso bom e velho português continua na promessa.

No finalzinho de maio, estou eu perambulando pela dashboard do console e vou no Mercado de Aplicativos e vejo um lance chamado “Voice Studio”. Depois de baixar, vejo que é um programa grátis para ajudar a Microsoft a otimizar o reconhecimento de voz em vários idiomas, levando em conta até mesmo o sotaque.

Embora minha configuração do console esteja em inglês, o aplicativo carregou em português, perguntando cidade e até mesmo o sotaque (incluindo “caipira” e “manezinho da Ilha”, ora veja). A parada funciona assim: você cria um perfil (sexo, idade, local, sotaque etc…) e escolhe um de até oito testes diferentes para gravar. Frases e expressões soltas – como nomes de jogos, filmes, artistas, músicos e produtos da MS – devem ser lidos pro Kinect e enviados.

O interessante do Voice Studio é ver que as possibilidades de leituras e pronúncias diferentes é levada em conta. Como você leria “0,5%” em voz alta? “Meio por cento” ou “zero vírgula cinco por cento”? Sem contar os vários verbetes em idiomas que nem todos têm o dever de saber pronunciar direito, como nomes de filme em inglês, empresas chinesas, atores latinos e aí por diante.

Bem, já fiz minha parte gravando todos os testes – e para quem gosta de brindes de avatar e Achievements fáceis de desbloquear, taí um motivo a mais para ajudar o Kinect a entender, finalmente, os seus comandos em português. Quando será que isso chega aos usuários? Tô louco pra ser preguiçoso e dizer, sei lá, “Xbox, Netflix” e “Reproduzir Killer Klowns From Outer Space”. De novo.

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Toy Soldiers: Cold War: nostalgia 80s, tiroteio e bonequinhos de plástico http://www.jigu.com.br/blog/2011/10/24/toy-soldiers-cold-war-nostalgia-80s-tiroteio-e-bonequinhos-de-plastico/ http://www.jigu.com.br/blog/2011/10/24/toy-soldiers-cold-war-nostalgia-80s-tiroteio-e-bonequinhos-de-plastico/#respond Mon, 24 Oct 2011 15:47:50 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1957
O horror da guerra não é tão grande aqui: ainda bem

 

Toy Soldiers: Cold War, o segundo jogo da série, puxa uma nostalgia que parece mais adequada à geração que cresceu jogando videogame. No lugar dos soldadinhos de chumbo, veículos e dioramas da Primeira Guerra Mundial apresentados em seu antecessor, desta vez o tema é a Guerra Fria. Até mesmo a arte do título tem um visual que lembra Comandos em Ação, com heróis que remetem ao Rambo e Ivan Drago (no caso, EUA e União Soviética).

Eis aí minha primeira análise para o TechTudo: mandando ainda melhor que seu antecessor, Toy Soldiers: Cold War é pra quem cresceu nos anos 80 e gostava de Comandos em Ação. Leia a análise completa!

 

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Gears of War 3: E esse vício no beta multiplayer, hein? http://www.jigu.com.br/blog/2011/05/05/gears-of-war-3-e-esse-vicio-no-beta-multiplayer-hein/ http://www.jigu.com.br/blog/2011/05/05/gears-of-war-3-e-esse-vicio-no-beta-multiplayer-hein/#respond Thu, 05 May 2011 20:52:31 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1258 Gears of War 3

Aqueles que compraram Bulletstorm em sua versão para o Xbox 360, reservaram Gears of War 3 na pré-venda em outras regiões ou simplesmente ficaram de olho nas redes sociais estes dias já estão jogando três modalidades multiplayer – em quatro mapas diferentes – que foram disponibilizadas a cada semana. O Arena também invadiu as trincheiras para te contar como vai o front da guerra.

É, comprar o Bulletstorm no Xbox 360 rendeu esta vantagem: testar o beta multiplayer do novo Gears uma semana antes do resto do mundo. E é até engraçado, porque eu meio que perdi o bonde do zeitgeist em se tratando do MP desta série. Minhas impressões estão no Arena Turbo – e querendo jogar, é só me adicionar na Live.

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ilomilo: Pano, estopa e neurônios em chamas http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/24/pano-estopa-e-neuronios-em-chamas/ http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/24/pano-estopa-e-neuronios-em-chamas/#respond Mon, 24 Jan 2011 15:00:17 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1159 ilomilo

O estúdio sueco Southend Interactive parece ter este tipo de sensibilidade, se tomarmos como referência ilomilo, seu mais recente título para a Xbox Live Arcade e Windows Phone 7. Mais uma vez, vemos um console de alta definição simulando o visual de bonequinhos e objetos que poderiam estar à venda em um Etsy da vida – tanto é que no site oficial do jogo tem um bocado de fotos de fãs que recriaram os personagens em pano e massinha, por exemplo.

O visual de ilomilo pode ser uma das coisas mais fofas do mundo, mas tenha certeza de que o jogo é incrivelmente desafiador. Leia a crítica no Arena Turbo!

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Raskulls: Corra, caveirinha, corra! http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/14/corra-caveirinha-corra/ http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/14/corra-caveirinha-corra/#respond Fri, 14 Jan 2011 15:00:16 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1155 Raskulls

Curiosamente, da primeira vez em que ouvi falar de Raskulls, título da australiana Halfbrick para a Xbox Live Arcade, foi esta a impressão que tive. Vi um grupo de personagens cartunizados, cenários coloridos, o gênero “racing” e pensei comigo mesmo: “que beleza, justamente o mundo mais pedia: outro jogo que bebe da fonte de Mario Kart. Pelo menos as caveirinhas são fofas”. É, admito que caí na pegadinha do gênero “corrida”. Acontece…

Não se deixe enganar pelo nome “corrida”, achando que é de carro ou qualquer outro veículo: o simpático Raskulls, da Xbox Live Arcade, requer que o jogador tenha sebo nas canelas. A análise dele está no Arena, corra lá (arrrrggghhh) para ver.

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A World of Keflings: Um verdadeiro gigante da construção civil http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/12/um-verdadeiro-gigante-da-construcao-civil/ http://www.jigu.com.br/blog/2011/01/12/um-verdadeiro-gigante-da-construcao-civil/#respond Wed, 12 Jan 2011 18:25:57 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1150 A World Of Keflings @ Arena Turbo

“Keflings?”, você pergunta. É, pequenas criaturas humanoides que certamente precisam de um empurrãozinho para que as coisas do cotidiano funcionem. Eis que um gentil gigante – o avatar do Xbox 360 do jogador – é encontrado numa geleira, reanimado e decide ajudá-los. É aqui que as semelhanças com os jogos inspiradores começam – e sem parecer uma copiazinha safada, o que faz uma grande diferença.

Enquanto os grandes animais de B&W agiam por conta própria e lidavam com a interação do jogador, o jogador controla diretamente seu gigante. É possível delegar ordens aos keflings: “corte árvores”, “quebre pedras”, “carregue-os para a vila”, “limpe o tapete”, “lave os pratos”… hã, não, estes dois últimos não.

Se você gosta de jogos como SimCity e Black & White e tem um Xbox 360, vai na fé: A World of Keflings é legal pacas. Minha crítica já está lá no Arena Turbo, então faça sua parte… e dê um emprego a um kefling.

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Pac-Man Championship Edition DX: Eu poderia comer um trem! http://www.jigu.com.br/blog/2010/12/14/eu-poderia-comer-um-trem/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/12/14/eu-poderia-comer-um-trem/#respond Tue, 14 Dec 2010 14:18:49 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1122 Pac-Man Championship Edition DX

Havia algo de envolvente na simplicidade de comer as pílulas e fugir dos fantasmas – ou mesmo devorá-los instantes após comer a especial, batendo aquele senso de vingança. Mas isto já tem 30 anos, e muita coisa mudou na história dos videogames… inclusive o próprio Pac-Man. Aprimorando a versão lançada em 2007, Pac-Man Championship Edition DX (PlayStation Network, Xbox Live Arcade) conseguiu melhorar uma fórmula que já tinha sido melhorada na edição anterior ao incluir mais estratégias de jogo – tanto para quem joga casualmente quanto para aqueles que aderiram ao elemento “campeonato” do título.

Protelei tanto para comprar o (ótimo) Pac-Man CE original que acabou saindo Pac-Man Championship Edition DX, reinvenção do clássico dos fliperamas. E minha crítica completa do jogo está lá no Arena. 😉

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Super Meat Boy: Moleque picanha! http://www.jigu.com.br/blog/2010/10/19/super-meat-boy-moleque-picanha/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/10/19/super-meat-boy-moleque-picanha/#respond Tue, 19 Oct 2010 13:00:47 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=1008 [post originalmente publicado no Arcadia]

A popularidade dos jogos em Flash cresceu e moldou o panorama dos jogos via web. Sites como o NewgroundsKongregate abrigam verdadeiras pérolas de jogabilidade; no passado, jogos como “Alien Hominid” e “N” convenceram tanto que foram adaptados para consoles. Outro que teve origem nos navegadores e acaba de ganhar uma recriação de luxo é “Meat Boy”, um jogo de plataforma insanamente difícil, que nem títulos da era Nintendinho como “Mega Man 2” e “Contra” (quero ver zerar direito sem usar o macete de trinta vidas…). Eis que o Team Meat – composto pela dupla Edmund McMillen e Tommy Refenes – finalmente lança “Super Meat Boy”, que é mais um daqueles títulos que põe a habilidade e dedicação do jogador à prova.

A trama é simples como as dos clássicos dos anos 80: Meat Boy gosta da Bandage Girl, que é capturada pelo mal-humorado Dr. Fetus. E o resto se resume a passar por cenários progressivamente mais difíceis e cheios de armadilhas, poços sem fundo, inimigos…. e mortes, muitas mortes. Mortes até onde seus olhos podem ver. Serras elétricas, montanhas de agulhas e seringas, poços de líquido corrosivo, cachoeiras de sal, lançadores de mísseis, raios laser… tudo no esquema “tocou, dançou”. E tudo com aquela simplicidade das antigas, precisando apenas de um botão de pulo e outro de corrida, tal qual “Super Mario Bros.”. Cada época tem o “SMB” que merece, não é?

Super Meat Boy: Dr. Fetus, seu mala!

Plataforma Concentrada: “Super Meat Boy” é um jogo de plataforma em seu estado mais puro: basta andar, correr, saltar e quicar de uma parede para outra. O design de fase é cruel, mas jamais insolúvel; se tanto, dá aquela sensação de alívio e realização quando é resolvida. Outros fatores levam o jogador a revisitar as fases como tentar obter a classificação “A+” ao resolvê-la em um tempo estipulado… isto sem contar as versões “Dark World”, que são a versões muito mais ameaçadoras de cada fase.

Rodízio de Desafios: Além dos desafios acima, o jogo ainda tem as “warp zones” que levam o jogador a desafios retrô. Simplificando os gráficos e o som para algo como os consoles e portáteis das antigas – às vezes lembrando o Game Boy Advance – estes têm limite de vidas por fase…. isto é, se perder todas, só recomeçando. Estas também contam para a busca aos curativos escondidos nas fases, que são um desafio extra e que levam ao próximo tópico…

Cabide de Emprego: Coletar os curativos bônus de cada fase – e cumprir alguns níveis especiais – destranca uma variedade de personagens de outras produtoras independentes. CommanderVideo (série “Bit.Trip”), Tim (“Braid”), Gish (do jogo homônimo, também criação de McMillen) e tantos outros passam a ser selecionáveis, cada qual com habilidades especiais. CommanderVideo é mais lento, mas flutua no meio do pulo; Tim manipula o tempo, e por aí vai. Além de celebrar esta galera que criou tantos jogos pelo amor à camisa, também serve tanto para variar um pouco a jogabilidade quanto para cumprir certas fases com mais facilidade.

Arremesso de Controle: Se você é um daqueles que se irrita por não conseguir passar de determinada fase, prepare-se para encarar um mundo de dor em “SMB”. O jogo é estupidamente difícil, e enquanto alguns são atraídos ao jogo por este mesmo motivo, outros mais impacientes poderão se frustrar um bocado. (Felizmente, caio no primeiro exemplo, mas aí sua milhagem pode variar).

Por um lado, não dá para dizer que “Super Meat Boy” é uma das surpresas do ano, porque se o original em Flash já era fantástico, as chances desta recriação superexpandida ficar ruim eram baixíssimas. Em vez disto, o jogo surpreende em outros aspectos, como sua execução bacana – o visual é simples e atraente, e a trilha sonora gruda no ouvido -, a quantidade enorme de fases (toda Normal tem sua Dark), as referências divertidas aos jogos e sistemas clássicos – intermissões que parodiam “Street Fighter II” e “Castlevania”, audiovisual estilo GBA nas fases retrô, e por aí vai. Mesmo se você for um daqueles jogadores impacientes que quer jogar o controle pela janela porque travou em tal fase, saiba que “Super Meat Boy” é um jogo fantástico, e que nos lembra porque começamos a gostar tanto de jogos.

“Super Meat Boy” será lançado na próxima quarta-feira (20) no Mercado Xbox Live – e com um desconto de 33% até novembro, custando 800 Microsoft Points até lá – e posteriormente para WiiWare e PC. Recomendado para jogadores de 13 anos ou mais.

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Comic Jumper: Santa roubada, Captain Smiley! http://www.jigu.com.br/blog/2010/10/04/comic-jumper-santa-roubada-captain-smiley/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/10/04/comic-jumper-santa-roubada-captain-smiley/#respond Mon, 04 Oct 2010 13:00:58 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=936 [Post originalmente publicado no Arcadia]

“Comic Jumper: The Adventures of Captain Smiley” mostra este super-herói – um sujeito musculoso com cabeça de bolota sorridente e uma estrela falante (e pra lá de boca-suja) no peito – em uma situação pouco heroica: devido aos seus ataques de estrelismo – sem trocadilho com o pobre Star -, seus leitores o abandonam e ele perde o emprego. Isto é, sua revista foi cancelada até segunda ordem. Sua allternativa para sair desta roubada e tentar dar a volta por cima é participar como herói convidado nos quadrinhos alheios, assim ganhando uma grana para bancar seu retorno em grande estilo.

Comic Jumper: Um herói dos anos 00

Complicar Pra Quê?: Nao tem mistério – a jogabilidade é bem simples, e assim está bom. Sequências de pancadaria usam apenas dois botões, um para atacar e outro para afastar grupos de inimigos cercando; já as de tiroteio usam a alavanca para mirar as pistolas e um para deslizar, esquivando do fogo inimigo – e às vezes, a perspectiva muda para uma câmera por trás do ombro, com uma mira visível. Ah, sim, e os bons e velhos eventos de reação rápida…

Tributo Aos Clássicos: Cada mundo é inspirado por uma era dos quadrinhos – mais especificamente as HQs de fantasia medieval, a era de prata dos super-heróis e o mangá. Não só o cenário como o herói tem seu visual trocados de acordo, e a impressão visual é incrível. O pessoal da TP fez o dever de casa direitinho. Ver Smiley pagando de Conan, herói clássico da Marvel (com direito a divertidas citações à regulamentação linha-dura dos quadrinhos da época) e guerreiro bonitão japonês é impagável. E as referências não se limitam aos quadrinhos – duas de filme me fizeram rir alto, mas acho vacilo estragar a surpresa aqui…

Paraíso da Metalinguagem: Não bastasse todo o lance de mostrar os bastidores dos quadrinhos – com direito a ficar de papo com os vilões na base – o estúdio não economizou nas autorreferências. Na real, elas são parte integral da trama: a TP é citada como a benfeitora que criou o sistema de visita aos quadrinhos alheios; o ataque especial que detona todos os inimigos da cena mostra Smiley pedindo ajuda aos desenvolvedores, cujas mãos e pés aparecem na tela detonando tudo. E tem fliperamas dos dois outros jogos deles da Live, “The Maw” e “Splosion Man”, com um trailer para cada – e uma opção para comprá-los, claro. Sem contar os tantos outros vídeos com atores que aparecem…

Cornucópia: Este é um daqueles jogos que, enquanto relativamente fáceis de zerar (o que não significa que o jogador não morrerá várias vezes), garantem partidas após a vitória. Seja pela caça aos Achievements ou pela quantidade absurda de material extra destrancável – sério, são centenas de ilustrações, vídeos, músicas, modelos 3D, quadrinhos… isso sem contar os brindes para seu avatar / gamertag e até mesmo um tema premium para a dashboard e fases extras para “Splosion Man”! – você terá motivos de sobra para voltar ao jogo…

Comic Jumper: Em uma versão meio Conan

Parece Fácil: Mesmo levando em conta que o jogo não oferece maneiras de recuperar sua energia no meio da fase e seus checkpoints são meio distantes, “Comic Jumper” dá a impressão de ser um jogo fácil. Vidas infinitas poderão deixar os jogadores achando isso – mesmo que injustamente: a pontuação no final da fase também leva em conta a mira do jogador, quantas vezes morreu, se pediu ajuda aos criadores do jogo (heheh)… sem contar os desafios para agradar os leitores, como passar de tal parte sem levar dano, e por aí vai. Isso sem contar os supracitados extras pra destrancar; vai por mim, não dá para ver tudo de primeira.

Desde que joguei “The Maw” e vi como ficou “Splosion Man”, o estúdio Twisted Pixel ficou em uma ótima posição entre minhas desenvolvedoras favoritas. “Comic Jumper” só atesta a favor do trabalho dos caras: aparentemente, eles conseguiram achar o ponto certo entre o fator replay, a dificuldade do jogo (pois “Maw” era fácil demais, e “Splosion Man” difícil demais) e o que fará os jogadores voltarem…. além dos desafios próprios do jogo, uma tonelada de conteúdo extra destrancável que é impossível de ver em uma primeira passada pelo jogo na íntegra. Claro, nada disto importaria se não se tratasse de um jogo divertido e bem realizado – o que este faz com louvores. Um prato cheio para quem ama quadrinhos, videogame e cultura pop.

Com lançamento marcado para a próxima quarta-feira (6) na Xbox Live Arcade, “Comic Jumper” é exclusivo ao Xbox 360 e é recomendado para maiores de 13 anos.

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Hydrophobia: Tiro na água? http://www.jigu.com.br/blog/2010/09/27/hydrophobia-tiro-na-agua/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/09/27/hydrophobia-tiro-na-agua/#respond Mon, 27 Sep 2010 13:00:56 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=931 [Post originalmente publicado no Arcadia]

“Hydrophobia”, produção do estúdio britânico Dark Energy para o Xbox 360, mostra um futuro no qual nosso planeta passa por uma grande crise: a superpopulação. No entanto, uma empresa de tecnologia chamada Nanocell prometeu revelar uma solução para isto, e o grande evento acontece no Queen of the World, o maior navio do planeta. Só que a cidade flutuante é assolada por um atentado terrorista dos neo-Malthusianos, que seguem a ideologia do pensador britânico Thomas Malthus de forma bem radical…

Enquanto a preocupação de Malthus era ligada à exaustão de recursos naturais em proporção ao aumento da população, os terroristas acreditam que o genocídio é uma maneira de salvar a humanidade. “Menos gente” igual a “mais recursos para os vivos”. O jogador controla a engenheira Kate Wilson, que acaba no meio desta confusão toda e precisa não só lutar por sua sobrevivência como também desvendar os detalhes desta conspiração.

Afinal de contas, não é todo dia que um grupo terrorista se infiltra com uma facilidade besta no maior navio do planeta. Ainda bem que os hobbies dela incluem natação, mergulho e escalada (sério, veja no quarto dela).

Hydrophobia: Bebeu água?

Tudo é Água: O grande chamariz do jogo, se o jogo de palavras no título não sugere o suficiente, é a água. A dinâmica impressiona, e fica claro que não é uma animação enlatada quando o jogador quebra um vidro ou abre uma porta com um grande corpo d’água do outro lado. Neste quesito, o jogo realmente impressiona – e além disto, as possibilidades que isto levanta (já que Kate não é uma policial ou guerreira) no combate é legal… o que leva ao próximo tópico.

Ambiente Hostil: Se você acha que vai passar por este jogo bancando o Jack Bauer ou o Rambo, prepare-se para falhar. Muito. Em vez de sair correndo com o dedo do gatilho escorregadio, o jogador é recompensado quando pensa em maneiras diferentes de eliminar os terroristas. Explodir toneis de combustível, atirar em cabos de energia para eletrocutar seus inimigos, e até mesmo improvisar uma enxurrada e tentar afogá-los… Some isto a um sistema de combo e pronto: diversão garantida.

E Lá Vamos Nós de Novo: A campanha principal não é enorme – deve dar para zerar em umas 4 horas na dificuldade Normal se você for uma máquina e não errar nunca – mas o fator replay se garante na busca de colecionáveis – itens, diários, emails, citações de Malthus, e por aí vai. E depois da trama principal, é destrancado o acesso ao Challenge Room – uma sala de desafios repleta de inimigos e situações tensas.

Hydrophobia: O navio está fazendo (mais) água

Quer Ver o Final? Más Notícias…: Vai que ainda dá tempo, Microsoft e Dark Energy, e incluam na descrição do jogo – pode ser na Live ou no título, tanto faz – que se trata do primeiro episódio de uma série. Nem todos acompanharam o processo de criação do jogo como uma aventura completa e sua eventual mudança para o formato episódico. Não tenho nada contra jogos em capítulos, mas avisem de forma mais óbvia! Terminar um jogo com um “To Be Continued” vago desses é covardia.

De Gaiato No Navio: Enquanto consistente à ambientação, o design de fase e o sistema de mapas é um pouco confuso. Dá para se perder de vez em quando, dar voltas e acabar no mesmo lugar – ou pior ainda, achar que está no mesmo lugar, quando na verdade está em outro diferente. E olha que o jogo tem mapas 2D e 3D!

Kate Wilson, Engenheira e Ventríloqua: Este é apenas um dos detalhes que acabam fazendo feio no jogo. Não há sincronia labial, ou sequer animação, em cenas que não sejam as intermissões com a trama. Além disto, há a ocasional animação esquisita, como a personagem “patinando” rumo à escada ao apertar o botão de subir nela. Parece preciosismo, né? Até é, mas não tem como não comentar.

“Hydrophobia” é um jogo divertido, mesmo que partes da execução possam atrapalhar esta impressão. O sistema de fluidos do jogo é incrível, e todo o esquema de usar o ambiente para detonar seus inimigos – em vez de partir para o tiroteio direto – é bem divertido. No entanto, o design de fases pode confundir, e parece que faltou esmero em certos elementos (como a animação facial fora das intermissões)… e por tudo que é decente neste mundo, avisem no título ou descrição na Live que é um episódio – pois chegar ao fim, ver um gancho para o próximo sem saber é um vacilo supremo. Mas que estou curioso para saber o que acontece, estou… que venha o próximo, então!

À venda por download na Xbox Live Arcade a partir da próxima quarta-feira (29) por 1200 Microsoft Points, “Hydrophobia” é temporariamente exclusivo ao Xbox 360, e é recomendado para maiores de 18 anos.

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Limbo: Um tratado sobre o medo http://www.jigu.com.br/blog/2010/07/19/limbo-um-tratado-sobre-o-medo/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/07/19/limbo-um-tratado-sobre-o-medo/#respond Mon, 19 Jul 2010 13:10:16 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=896 [Post originalmente publicado no Arcadia]

H. P. Lovecraft, um dos meus autores favoritos, declarou certa vez: “A mais antiga e forte emoção da humanidade é o medo, e o mais antigo e forte tipo de medo é o medo do desconhecido”. Enquanto seus contos costumam ter descrições intrigantes de suas criaturas sobrenaturais, ele era mestre em deixar os leitores de molho criando um climão… e se existe uma maneira de deixar o espectador tenso, é ocultando a fonte do terror. Suspense funciona bem.

Enquanto ver um monstro medonho tem seu mérito, de vez em quando somente a menção dele pode ser igualmente eficaz. “Limbo”, produção da dinamarquesa Playdead para a Xbox Live Arcade, cumpre isto com um fiapo de história: em busca de sua irmã, um garoto faz uma jornada pelo além. E acredite: não precisa de muito mais do que isso, e funciona muito bem.

Limbo: Um lugar bem, bem inóspito

Decifra-Me ou Devoro-Te: Uma das especialidades deste jogo é a proverbial “bola curva”, que deixa o jogador incerto do que esperar… e isto desde o comecinho da aventura. Disposto em 24 partes contínuas, os desafios do jogo requerem pensamento lateral, habilidade e paciência. Fórmula campeã.

À Moda Antiga: O visual é, sem rodeios, espetacular. Parece uma mistura de cinema mudo em preto e branco e marionetes de sombras, brincando com luz, escuridão, fumaça, faíscas e afins de forma memorável. Os cenários enevoados ao fundo — panoramas de jardins, cidades, fábricas e afins — em contraste com os personagens em silhuetas bem animadas em primeiro plano funcionam lindamente.

Revisitando o Além: Além de correr atrás dos Achievements destrancáveis (pouquíssimo óbvios, diga-se de passagem: na minha primeira jogada inteira só consegui dois — e um deles é relacionado a vencê-lo), existem motivos para jogar de novo. Mesmo que envolvam conseguir um que requer zerar tudo de uma vez só… morrendo menos de cinco vezes. É um senhor desafio…

Limbo: Sombras de coisas que matam

Aprendendo na Marra: Enquanto a mistura de tentativa e erro e o aprendizado de como as coisas funcionam tem tudo a ver com o o clima (não ter limite de vida, tempo, pontos, etc… contribui pra isso), o primeiro fator poderá irritar mesmo o jogador mais veterano. Relaxe… quando for assim, pare um tempo, esfrie a cabeça e volte depois. Vai que vale a pena.

Assim Você Me Quebra: Se você é um daqueles que sente a dor pelo personagem, prepare-se para ficar muito tenso. O que não falta é maneira diferente para seu personagem morrer… e se você tem o estômago mais fraco, tem como desligar a violência mais gráfica. Estamos falando de um mundo com serras elétricas, espinhos e aranhas gigantes: daí você já pode imaginar o que te espera.

Se você tem um Xbox 360, não hesite: “Limbo” é fantástico. Herdando um pouco de clássicos como “Out of This World” / “Another World”, a aventura do garoto em um mundo desconhecido e extremamente inóspito é sombria e cativante. Não é exagero dizer que praticamente tudo que se move está contra você… e tantas outras coisas imóveis também. É como se os produtores tivessem reunido todos os medos primais da humanidade (escuridão, aranhas, violência, perda das faculdades mentais, risco de morte) e fazer um teatrinho de bonecos de sombra no qual o herói só sobrevive se você o conduzir direito. E ainda assim, é uma experiência linda. Recomendado ao máximo.

À venda por download no Xbox 360 a partir da próxima quarta-feira (21), “Limbo” é recomendado para maiores de 13 anos.

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Snoopy Flying Ace: Fofinho uma ova! http://www.jigu.com.br/blog/2010/07/13/snoopy-flying-ace-fofinho-uma-ova/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/07/13/snoopy-flying-ace-fofinho-uma-ova/#respond Tue, 13 Jul 2010 13:00:50 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=879 [Post originalmente publicado no Arcadia]

Há pouco tempo, eu e minha namorada estávamos vendo um DVD com seis episódios remasterizados da turma do Charlie Brown. Cinquenta anos depois, continua parecendo que funciona para crianças, mas longe de ser só para elas: afinal de contas, existem aqueles dramas sobre pressão dos amigos, tentar e falhar miseravelmente, coisas que só os mais vividos sabem. Enfim… é legal para as crianças, e provavelmente mais ainda para os adultos.

Se seguirmos o que aparece com mais frequência nos desenhos e tirinhas e tentarmos aplicar ao mundo dos jogos, são duas as possibilidades mais óbvias: um jogo de baseball, ou um sobre os devaneios de Snoopy sobre ser um audaz piloto da Primeira Guerra Mundial. Este último caso é tão claro que já existem pelo menos três games do assunto: o primeiro, para Atari 2600; o segundo, “Snoopy vs. the Red Baron”, para PS2, PSP e PC…

Por fim, “Snoopy Flying Ace”, lançado neste ano para o Xbox 360. Quem diria que um jogo licenciado se sairia tão bem, hein? A Smart Bomb está de parabéns.

Snoopy Flying Ace: "Dogfight" ganha um sentido a mais

Pegue e Jogue: A jogabilidade é simples e eficaz: dá para se desvencilhar da mira automática de certas armas ao realizar uma pirueta com o avião, fazer loopings para contornar o inimigo ou dar meia volta, tudo com um toque do analógico direito. De resto, é possível acelerar ou reduzir a velocidade do avião, alternar armas… em questão de poucos minutos, é fácil ficar safo na pilotagem.

Guerra Sem Fim: A variedade de modos multiplayer são a joia da coroa. Maioria das modalidades oferecidas são bacanas e contam com uma boa comunidade de jogadores na Live, e o sistema de ranking e patentes medindo o avanço do jogador dá motivos extras para voltar ao jogo. Afinal de contas, você quer ou não quer entrar no ranking exclusivo dos Flying Aces?

Mais Complexo do Que Parece: A quantidade de armas extras – além da metralhadora, é possível escolher mais duas diferentes de uma lista bem respeitável – e aviões com dirigibilidade, resistência e velocidades diferentes dão uma variedade surpreendente de combinações. E como é fácil trocar as armas na hora do respawn no mapa, dá para mudar sua estratégia caso seja necessário.

Snoopy FlyingAce: Dos trópicos aos fjords

Arrume Uns Amigos: Embora divertida, a campanha single-player do jogo não é seu ponto forte. Na real, esta serve mais para treinar o jogador no esquema de controle e no combate do que qualquer outra coisa. Se você é daqueles que não curtem multiplayer, talvez a experiência completa não seja bem a sua. Jogue a demo e decida.

Olhando, Nem Parece: Chega a ser uma injustiça pensar que parte dos jogadores poderá torcer o nariz por se tratar de um jogo do Snoopy. Mesmo tirando do caminho o fato de ser um jogo de guerra, ter o beagle e tudo tem potencial de sobra para o jogador médio imaginar que é um jogo para crianças. Se serve de exemplo… é tão “só para criança” quanto o desenho animado (isto é, não muito).

Americano Demais: Calma, não é uma crítica ao conteúdo! O lance é o modo Pigskin, que remete ao futebol americano: enquanto uma equipe de pilotos tenta levar a bola ao outro lado do campo em seus aviões, o time de defesa fica em armas fixas no outro lado do cenário. Parece bacana no papel, mas… na prática, nem é tão bacana quanto os outros mais tradicionais.

Não se deixe enganar pelo visual engraçadinho: seguindo a escolinha de jogos como “Crimson Skies”, “Snoopy Flying Ace” é um jogo de guerra bem sólido que tem em seu modo multiplayer sua maior força. Além de oferecer uma boa quantidade de veículos e armamentos, combinados a gosto do jogador, também há o incentivo de subir de patente ao jogar online. Para quem curte mais a turma do Charlie Brown, então, já viu: todos os personagens de maior presença estão lá, e até mesmo outros menos óbvios. Só faltou a voz de trombone da professora…

Vendido por download no Mercado Xbox Live, “Snoopy Flying Ace” é recomendado para maiores de 10 anos.

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Post-Review: Alien Hominid HD (XBLA) http://www.jigu.com.br/blog/2010/05/18/post-review-alien-hominid-hd-xbla/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/05/18/post-review-alien-hominid-hd-xbla/#respond Tue, 18 May 2010 14:11:07 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=745 Post-Review: Alien Hominid

Quem acompanha o blog já deve saber do meu gosto por jogos fora do esquemão das lojas. Claro que adoro paradas como Mario, Half-Life, StarCraft e tudo mais, mas tem muito jogo bacana no meio independente que seria uma injustiça deixá-los passarem despercebidos. Felizmente, alguns destes acabam chegnado ao grande público com remakes e afins.

Talvez não seja o primeiro a fazer esta rota, mas a história de Alien Hominid pode ser considerada um caso de sucesso. Originalmente feito em Flash, o jogo dos alienígenas amarelos que bombava no Newgrounds guardava tanta promessa que a distribuidora O~3 se comprometeu a distribuir uma recriação completa para os três consoles da geração passada (e ainda teve uma edição para o Game Boy Advance!).

Mas foi em seu relançamento em alta definição para a Xbox Live Arcade que pude confirmar de uma vez por todas o quanto este jogo era bacana, e deu ao estúdio The Behemoth um merecido voto de confiança. Não sei se é a dificuldade nível Contra, as ilustrações feitas à mão e suas animações hilárias (não bastassem as expressões dos personagens principais, as “gags” também são muito divertidas) ou a combinação disto e mais elementos que o torna tão cativante…

(por mais que a síndrome de Tourette tenda a aflorar durante o jogo inteiro, porque zerar com continue é fácil…)

Passando o controle: Invadir a Sibéria montado em um ieti, derrotar um monstro feito de doce de leite e radiação… quais os seus momentos favoritos de Alien Hominid?

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Jogos de sombras http://www.jigu.com.br/blog/2010/04/15/jogos-de-sombras/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/04/15/jogos-de-sombras/#comments Thu, 15 Apr 2010 13:53:05 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=603 Um ano de jogos sombrios

Jogos com nomes ligados à sombra existem aos borbotões. Sem apelar pro Google: Shadow of the Beast, Shadow Hearts, Shadow Dancer, Penumbra, Shadow Complex, Shadow President, Night Shade, Shadow of the Beast, Prince of Persia: The Shadow and the Flame… e a lista poderia continuar por muito, muito tempo. Agora, uma coisa é certa: este ano está cheio de jogos que certamente são merecedores de tal subtítulo. E qual a razão? Simples: o uso de sombras e silhuetas de maneiras muito interessantes.

Se voltarmos a fita até 2007, temos um exemplo que começava a apontar neste sentido, mostrando um dos primeiros exemplos recentes de jogos que brincam com isso em seu visual: Patapon. O jogo de estratégia / ação / ritmo da Sony para o PSP tem o visual de seus soldadinhos e monstros apresentados como personagens bicolores, como se fossem pequenas sombras animadas… não é? É, mas não tanto quanto os outros jogos que estariam por vir…

Desde então, outras produções independentes passaram a fazer uso direto de sombras e silhuetas em seu estilo visual de maneira ainda mais radical. Um deles é Limbo que, após um bom tempo sem plataforma anunciada, foi confirmado para a  Live Arcade. Outro que bebe nesta fonte é Night, puzzle cujo conceito foi apresentado no PC e está em produção para o WiiWare. Feist é outro participante da IGF, o Independent Games Festival, em produção a XBLA e com edições para PC e Mac depois; por fim, temos um jogo que cairia no exemplo dos citados no começo deste post… Insanely Twisted Shadow Planet – e é até injusto dizer que este estaria entrando nesta tendenciazinha temática, já que o jogo é baseado em uma  série de ilustrações / animações com esta identidade visual criadas há anos por um dos designers do jogo, Michel Gagne.

Pois é… vez por outra, algum elemento passa a aparecer com mais frequência nos jogos, seja por avanços tecnológicos (dava para perder a conta d quantos jogo abusavam do light bloom na iluminação na época em que isto ficou mais evidente…) ou opções estéticas (uma enorme sequência de jogos usando cel-shading, lembrando desenhos animados)…. e parece que as sombras e silhuetas são a bola da vez. Isto sem contar os jogos onde o uso das sombras têm diretamente a ver com sua mecânica, como The Magic Obelisk e Tower of Shadow… mas aí já é outra história.

Passando o controle: Qual o seu jogo favorito com Shadow / Shade / etc… no nome?

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A ascensão dos indie games http://www.jigu.com.br/blog/2010/03/09/a-ascensao-dos-indie-games/ http://www.jigu.com.br/blog/2010/03/09/a-ascensao-dos-indie-games/#comments Tue, 09 Mar 2010 16:55:56 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=505 Indie Games (CarneyVale, La-Mulana, Meat Boy, Spelunky, Fez)

À medida que a tecnologia empregada na criação de videogames se torna mais complexa, os custos de produção dos jogos tendem a se tornarem mais elevados. Uma prova disto está no aumento do preço final ao consumidor: enquanto os títulos de Xbox 360 e PlayStation 3 costumam ter o preço sugerido de US$ 60 no varejo, os jogos para o Wii – que roda seus jogos em definição aprimorada (EDTV) com resolução 480p – continuam na faixa dos US$ 50.

Infelizmente, nem todo estúdio tem bala na agulha para bancar um projeto do calibre de um God of War III, que custou US$ 44 milhões à Sony – ainda mais aqueles que ainda ficam à procura de distribuidoras novas, levando portas na cara até conseguirem; felizmente, nem toda produtora está restrita a criar projetos multimilionários, assim como as novas maneiras de oferecer jogos as ajudaram neste objetivo.

Não é de hoje que joguinhos grátis e independentes têm chamado a atenção das companhias maiores. Alguns exemplos relativamente recentes disto são Every Extend Extra Extreme, Blast Works e flOw. Os três games em questão são releituras de jogos freeware (no caso, Every Extend – que já tinha sido revisitado no PSP -, Tumiki Fighters e, hã, flOw) que acabaram tendo sua chance ao sol por capturar a atenção da Q Entertainment, Majesco e Sony. Fosse por distribuição em disco ou por download, o trabalho de desenvolvedores menores foi reconhecido. Outro exemplo que passa perto disto mas se revelou mais elaborado foi Narbacular Drop, criação de estudantes da universidade DigiPen que garantiu a contratação destes pela Valve para o desenvolvimento de um game inédito baseado no mesmo princípio: Portal.

Outro fator que pesou muito nisto foi a popularização da distribuição digital nos consoles. Jogos vendidos na PlayStation Network, WiiWare e Xbox Live Arcade – valendo notar que esta última também contam com uma área especificamente dedicada aos produtores com a iniciativa Indie Games, que vende jogos de US$1 a US$ 5, passa por fora dos dos órgãos de classificação etária e é gerido pela própria comunidade de game designers associados ao XNA Creators Club… vale notar que até mesmo estúdios estabelecidos, como Arika e Arkedo, também lançam seus jogos lá! – permitiram trazer jogos mais simples, mais baratos e não necessariamente ligados às tendências do que se vê nas prateleiras disputadas a tapa.

Na virada deste mês, vieram à tona duas novas iniciativas para manter este espírito independente unido pela mesma causa – e os dois anúncios vieram em menos de uma semana. A primeira é a Indie Fund, que reúne uma variedade de estúdios indies – que tiveram sucessos como Braid, Flower e World of Goo possibilitados por esta mudança na indústria – em prol de “apoiar o crescimento dos jogos como um meio ao ajudar desenvolvedores independentes a se tornarem financeiramente independentes e continuarem financeiramente independentes” e oferecer um modelo de publicação de jogos diferente do atual. A outra vem do outro lado do Atlântico: no Reino Unido, a iniciativa State of Independence também tem como objetivo apoiar os novos estúdios no processo de captação de recursos, promoção de seus jogos, e como obter o melhor lucro mesmo se com um orçamento apertado.

Outra jogada que achei interessante foi a fundação da Tomorrow Corporation, unindo as forças de integrantes dos estúdios responsáveis por World of Goo e Henry Hatsworth in the Puzzling Adventure… isto é, profissionais da independente 2D Boy e da subdivisão Tiburon da gigante Electronic Arts. Pois é – logo a Tiburon, mais conhecida por seus jogos esportivos, já tinha dado suas cabeçadas em gêneros diferentes como o ação, plataforma e quebra-cabeças.

Voltando à linha Xbox Live Indie Games, pelo menos dois jogos que surgiram como pequenos lançamentos online obtiveram distribuição por companhias externas para o PC: Clover, da Binary Tweed, que foi lançado neste ano em uma versão renovada; e Carneyvale: Showtime, do estúdio cingapurense Team GAMBIT, é o próximo. É o que costumo dizer para quem torce o nariz para os jogos dessa linha XBLIG: há público para todos, mas quem fizer um joguinho mais-ou-menos provavelmente continuará no limbo, e os realmente bons acabam chegando à atenção de todos.

E a lista dos independentes invadindo os consoles e PC continua crescendo: de cabeça e previstos para este ano, temos novas releituras para Cave Story, La-Mulana, Super Meat Boy, Spelunky HD… sem contar as produções totalmente inéditas, como o curioso Fez.

Passando o controle: Tem muito jogo independente legal que poderia ganhar nova versão, como Yume Nikki e Warning Forever… você conhece alguma pérola perdida que podia ganhar nova vida para PC ou consoles?

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Vivendo nas entrelinhas http://www.jigu.com.br/blog/2008/11/25/vivendo-nas-entrelinhas/ http://www.jigu.com.br/blog/2008/11/25/vivendo-nas-entrelinhas/#respond Tue, 25 Nov 2008 14:00:25 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=122 Braid
[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Novamente, o bom e velho “garimpo cultural” ao qual já me referi algumas vezes aqui no blog rendeu bons resultados. A mais recente obra a que fui apresentado através de outra fonte foi o livro “As Cidades Invisíveis” (“Le Città Invisibili”), de Italo Calvino. Desta vez o “culpado” é o game designer Jonathan Blow, criador do belíssimo Braid, que tive a oportunidade de entrevistar neste ano.

Italo Calvino

Enquanto o game de Blow tratava de forma lírica e lúdica o inalcançável, o idealismo e a falsa memória, o livro de Calvino retrata de forma poética e com tom de “road trip” os relatos do navegador e comerciante Marco Polo ao imperador asiático Kublai Khan, descrevendo ao regente cidades tão fantásticas e únicas — todas com nomes femininos, alguns mais típicos do que outros — quanto passíveis de dúvida e credibilidade em relação a realidade de cada uma.

A sugestão da orelha do livro, ler com calma cada capítulo, é justificada: por mais que cada uma das 55 cidades apresentadas sejam descritas em cerca de uma a três páginas, as surpresas e interpretações por elas mesmas fazem tal dica valer. Seja a cidade construída pelos homens que tiveram o mesmo sonho de uma bela mulher nua correndo pela rua, passando por outra que tem um fio de felicidade em meio a uma vida aparentemente triste, e chegando a outra construída sobre o mar, assim tendo seus habitantes e ações repetidas em outra perspectiva, há toda uma variedade de cidades interessantes a serem conhecidas.

Servindo de considerações sobre desejo, morte, vida, fronteiras, tempo e memória, as localidades descritas pelo Polo de Calvino são interessantes e estão lá para serem interpretadas e sentidas de formas diferentes por cada leitor… e dão a impressão que uma cidade sozinha também guarda várias facetas por si só.

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Conferindo a New Xbox Experience http://www.jigu.com.br/blog/2008/11/18/conferindo-a-new-xbox-experience/ http://www.jigu.com.br/blog/2008/11/18/conferindo-a-new-xbox-experience/#respond Tue, 18 Nov 2008 19:00:27 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=119 [Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Sexta-feira passada, quando eu menos esperava, recebi um email da Microsoft: acabei entrando na terceira e última leva da prévia da New Xbox Experience, a nova versão do sistema do Xbox 360. No final de outubro, rolou uma inscrição no site da MS para os interessados tentarem a sorte e conferirem de antemão a novidade. Uma leva foi, e não fui chamado; na segunda, também não… aí eu já tinha deixado para lá, achando que só dia 19. Engano meu 🙂

Enfim, depois de um download considerável, valeu a pena. Os novos avatares são bem engraçadinhos, um meio-termo entre os Miis e o esquema Second Life-esco da PlayStation Home: pois tem mais recursos que os da Nintendo — como roupinhas e acessórios afins — mas não tem a flexibilidade de edição das características como aumentar ou reposicionar orelha, nariz, olhos etc… e de resto, a navegação melhorou a olhos vistos.

Poder pular de qualquer aplicativo para outro sem ter que passar pelos menus, que acaba remetendo a barra Iniciar do Windows, economiza tempo se você quiser sair de um GTA IV da vida para jogar Geometry Wars 2. A navegação geral está bem menos confusa, tudo mais clean e estiloso. Por falar no GTA, instalei-o para o HD — também nova função — para agilizar o carregamento. Bem mais rápido, mas foi esquisito ver uma vez as texturas pipocando no cenário quando acabei de voltar de uma intermissão.. mas o resto compensa que é uma beleza. Outra parada que eu gostaria de testar, mas não sei se me arrisco por minha conexão não ser grande coisa e também envolver acrobacias de cadastro e tal, é a locação online de filmes na Netflix. Quem sabe um dia…

Para quem se inscreveu, a atualização já deve ter sido disponibilizada hoje; senão, é só esperar até amanhã, quando ela será oficialmente liberada a todos os usuários. E eis aí minha versão avatar para vocês rirem um pouco:

Meu avatar na Live!

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Quem diria: Liberty City me fazendo pensar na vida! http://www.jigu.com.br/blog/2008/09/01/quem-diria-liberty-city-me-fazendo-pensar-na-vida/ http://www.jigu.com.br/blog/2008/09/01/quem-diria-liberty-city-me-fazendo-pensar-na-vida/#respond Mon, 01 Sep 2008 19:00:56 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=104 Grand Theft Auto IV de helicóptero

[Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Sim, eu tenho noção de que minha querida meia dúzia de leitores já deve estar ficando legal dos meus papos sobre videogame — ainda mais agora, que mal tenho tipo livre de ver filmes, seriados, etc… e quando estou em casa, a boa costuma ser jogar mesmo. Tenho andado ocupado com algumas tarefas de grande importância, mas isso fica para outra ocasião…

Estou aproveitando o mês grátis de Xbox Live que veio junto com meu Grand Theft Auto IV, e tem sido bem legal jogar certos jogos online, seja com amigos ou completos desconhecidos no Xbox 360. O negócio é que neste sábado que passou, tive mais um daqueles momentos de choque ao jogar com meus amigos. E tudo começou em Liberty City…

Um grande amigo meu, atualmente residente na Inglaterra, apareceu online e abriu uma sessão privada sem objetivos do GTAIV e me chamou — que bom que finalmente botaram multiplayer de forma oficial no jogo, né? Enfim, nos encontramos e fomos dar uma volta de helicóptero pela cidade… papo vai, papo vem, e outro amigo nosso em comum — também brasileiro, mas morador da Flórida — pipoca online, e o convidamos. pra mesma sessão. Ele entra e pergunta onde estávamos, e respondemos: “maluco, espera aí onde você está, que nós vamos te buscar em grande estilo”.

Descemos o helicóptero, assumi o comando do bicho e fomos os três para nosso tour aéreo de LC. Como eu ainda não cheguei na parte do jogo solo onde se usa o helicóptero — ou não explorei a cidade o suficiente para tal — digamos que o vôo foi repleto de emoções fortíssimas. “CUIDADO COM A CAIXA D’ÁGUA!”, “LEVANTA! LEVANTA!”, e aí por diante 😛 Mas o momento de estarrecimento total veio na hora em que ouvi uma frase no headset:

“Maluco… estou voando de helicóptero sobre uma Nova Iorque de mentira com meus dois amigos!”

É nessas horas que eu paro e penso em como, ao mesmo tempo, o mundo se tornou maior e menor. Afinal de contas, eram três amigos cariocas em fusos, países, hemisférios diferentes…. sobrevoando uma metrópole virtual e sem fronteiras, conversando como se estivessem todos por perto. Tudo bem que ambientes virtuais estão longe pacas de ser uma novidade — afinal de contas, temos aí o Second Life como um bom exemplo disso — mas foi tão potente ter essa sacação em uma recriação, obviamente com licenças poéticas, de uma cidade real…

… enquanto isso, em 1985, chibi-Giglio ouviria este relato feito por mim — saído da máquina do tempo — e provavelmente responderia algo nos moldes de “é ródi, hein? Isso só em filme ou na Sessão Aventura”, e ele voltaria a ver o VHS dos Caça-Fantasmas comendo Zambinos.

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Geometry Wars 2 fez de mim um monstro http://www.jigu.com.br/blog/2008/08/21/geometry-wars-2-fez-de-mim-um-monstro/ http://www.jigu.com.br/blog/2008/08/21/geometry-wars-2-fez-de-mim-um-monstro/#respond Thu, 21 Aug 2008 14:00:52 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=97 [Post originalmente publicado no Working Class Anti-Hero]

Na época em que começaram a confirmar os preços dos consoles da geração atual, o elevado valor do PlayStation 3 fez com que a Microsoft comentasse que “com o dinheiro de um PS3, o jogador pode comprar um 360 e um Wii e ter o melhor de dois mundos” ou algo do gênero. Isto rendeu um sem-fim de piadinhas e o infame trocadilho “Wii60” (que em Inglês rima, né?), uma avalanche de montagens em PhotoShop, zoações de todos os lados presentes nesta batalha — sinceramente, quem ganha são os jogadores, e eu naturalmente me incluo nisso.

Desde esta época, pesando os jogos exclusivos a cada sistema e seus respectivos preços, eu pensei em aderir à onda Wii60. Comecei comprando o Wii em seu lançamento…. e agora, anos depois, finalmente estou com o 360 em casa. Calhou de sair junto com uma batelada de jogos que eu queria, como Too Human (que anda dividindo opiniões da imprensa depois de uma enorme novela envolvendo a troca do engine usado no jogo, as promessas grandiloquentes do presidente da produtora Silicon Knights, e todo o hype que é absolutamente impossível de ser cumprido devido ao jogo estar em conceito desde 1998). Sei que enquanto a edição brasileira de Too Human não sai, estou me divertindo com Grand Theft Auto IV e Soulcalibur IV

Geometry Wars 2

No entanto, há uma história sombria sob esta superfície de diversão gamer: Geometry Wars: Retro Evolved 2, seqüência ao game que já recomendei por aqui faz tempo, também saiu. E com o esquema de tabela de recordes da Xbox Live, eu estou num frenesi desgraçado — porém amigável — de ultrapassar os recordes dos meus amigos. Chego em casa, vejo a lista e penso “aê, ninguém me passou” — ou mais usualmente “DESGRAÇADO! ME PASSOU!” e tento jogar para ultrapassá-lo. Todo santo dia.

Eu nunca me achei um cara competitivo — estou nessa pela diversão! — mas cara, que vício dos infernos. O que eu faço? Quem tiver um Xbox 360 e quiser fazer parte da loucura, é só me adicionar na Live:

Como é de se esperar, o Gamercard também vai ficar aqui no layout da página e na minha página de contatos de jogos. GAME ON!

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Braid: O tempo é uma ilusão http://www.jigu.com.br/blog/2008/08/06/braid-o-tempo-e-uma-ilusao/ http://www.jigu.com.br/blog/2008/08/06/braid-o-tempo-e-uma-ilusao/#respond Wed, 06 Aug 2008 04:04:34 +0000 http://www.jigu.com.br/?p=2608 Braid (XBLA

[Originalmente publicado no site FinalBoss]

Uma das discussões intermináveis que vemos na indústria e imprensa dos jogos eletrônicos revolve em torno da manjadíssima pergunta ”games são arte?”. Papo vai, papo vem, e a coisa acaba se dividindo em facções diferentes: aqueles que acham que qualquer tipo de jogo é arte – afinal, reúne imagem, música, movimento etc… – e outros que acreditam que somente aqueles títulos que ultrapassam a barreira do entretenimento puro, evocando emoções (seja de simpatia ou repúdio) e fazendo pensar merecem tal definição… assim como acontece com qualquer obra de arte: para uns, a fotografia A Fonte de Marcel Duchamp – um mictório! – tem tanto valor quanto a Mona Lisa de Leonardo da Vinci – para outros, isto é absolutamente impensável. O negócio é que qualificar qualquer coisa como arte é algo muito, muito subjetivo; posto isto, de vez em quando aparecem certas obras que acabam causando uma impressão tão chocante — e inesperada! — que não dá para imaginar outra definição que não ”isto é arte”. Braid, criado por Jonathan Blow e seu estúdio Number None para a Xbox Live Arcade, é um destes casos.

O jogador controla Tim, um sujeito de terno e gravata vermelha. Em cada ambiente de sua casa, há um mundo a ser explorado por ele, e antes de escolher uma das fases há uma fileira de livros que contam – através de um texto bastante lírico e bem escrito – pedaços da vida do personagem, constantemente fazendo referência a uma Princesa que não está mais ao seu lado, e relatando o que aparenta ser o fluxo de um relacionamento. Um dos pontos citados pelos livros é o sonho em poder voltar no tempo e fazer as coisas de forma diferente, corrigir certos arrependimentos, e aí por diante. A trama é a desculpa perfeita para oferecer ao jogador uma maneira bastante intrigante de manipular o tempo em uma série de fases apresentadas em forma de pinturas a óleo.  O gamer mais desavisado vai olhar para Braid e pensar ”ok, é mais um joguinho de plataforma 2D igual a Mario, Alex Kidd etc…” — e não poderia estar mais errado.

Apesar das inúmeras referências a outros jogos (com direito a canos verdes com plantas carnívoras, a frase ”desculpe, mas nossa princesa está em outro castelo” e até mesmo uma área igual à disposição da primeira fase de Donkey Kong), Braid está longe de ser apenas focado naquele pulo na hora certa ao lugar adequado… se tanto, isto chega a ficar em segundo plano em várias ocasiões. Como dito acima, a manipulação do tempo é peça-chave nos quebra-cabeças do jogo. Rebobinar o tempo já foi feito antes (Prince of Persia: The Sands of Time é apenas um dos vários exemplos), mas não era apresentado de forma tão integral à experiência quanto neste caso. Como há o clima de quebra-cabeças, o fato do jogador morrer ou não é absolutamente irrelevante: dá para voltar a fase inteira se quiser, e às vezes isto é necessário para pensar nas soluções.

Se esta comparação for válida o suficiente, pense em Portal… mas trocando as dimensões e  jogadinhas de física, momento, inércia etc… pela manipulação do tempo. Em uma fase, caminhar para a direita faz o tempo avançar, e para a esquerda retroceder; em outra, é possível criar uma bolha onde tudo acontecerá mais devagar do que à sua volta; às vezes, rebobinar o tempo gerará um ”fantasma” do herói, que repetirá a ação do verdadeiro Tim até o momento em que o jogador disparou o efeito… isto sem contar que às vezes alguns objetos e inimigos no cenário não são afetados pelas alterações temporais provocadas pelo jogador, outras são e isto também tem que ser levado em conta na hora de resolver os puzzles.

Pois é: pensar fora da caixa na maioria do tempo ajuda, pois as soluções nem sempre são tão óbvias, e em outras vezes você se pegará pensando como não imaginou aquilo antes. Às vezes o jogador precisará pensar em coisas que aconteceram lá no começo da fase (tanto em relação ao lugar quanto ao evento no tempo mesmo), precisando chegar longe em uma fase só para rebobinar o tempo e resolver um enigma. Em outros casos, é necessário pensar em fluxos de tempo diferentes, já que certos itens, inimigos e objetos do cenário podem ser imunes à modificação temporal pelo jogador; além disto, ainda é possível – e necessário, em certos pontos do game – escolher a velocidade do efeito do tempo, tal qual um DVD player (-2x, -4x, -8x) ao pressionar os botões LB e RB do controle.

Em cada mundo, existem peças de um quebra-cabeças a ser montado pelo jogador, e quando são finalizados mostram situações envolvendo um sujeito e uma mulher: às vezes é o cara tentando pegar uma garrafa de vinho para servi-los, em outro mostra o mesmo sujeito em um restaurante propondo um brinde… enfim, há uma história de romance e aparente afastamento, dado todo o papo da Princesa inalcançável e vontade de mudar o passado. Mas não pensem que os quadros são meramente para garantir Achievements… infelizmente, não dá para contarmos mais sobre isto sem nos enveredarmos pelo fantástico mundo dos spoilers.

À medida que as fases são liberadas, o jogador fica livre para explorá-las novamente e pegar as peças de quebra-cabeças que faltam, de forma não-linear. Isto é bom e poupa frustração, já que dá para refrescar a cabeça de um puzzle impossível partindo para outro igualmente complexo – e notem que isto não é uma reclamação. Depois de terminar o game, o jogo oferece uma modalidade estilo speed run para os fãs desta atividade… chega a ser irônico pensar nesta atividade se pensarmos que é um jogo onde a manipulação do tempo é essencial, mas beleza.

Apresentado em 2D, o estilo visual de Braid é uma beleza de se ver, e fica ainda melhor numa TV de alta definição. Tudo é apresentado em forma de pintura a óleo, dando um quê impressionista ao jogo. Ao usar as técnicas de manipulação de tempo, as cores do cenário ficam mais fortes ou mais fracas, e outros efeitos como sombreados para acompanhar o trajeto dos personagens também fazem bonito. A trilha é predominantemente composta de música folk: arranjos de cordas, violões, violinos… há um clima de exposição, parece que o jogador passa por um museu com música ambiente; como é de se esperar, a música e os efeitos sonoros também são afetados pelas rebobinadas e avanços do tempo.

Sinceramente, chega a ser difícil achar falhas realmente dignas de nota em Braid. Fora sua duração relativamente curta – obviamente partindo do princípio que o jogador saiba de cara de todos os puzzles e jogue sem erros… isto é, impossível – a única coisa que nos chamou um pouco a atenção foi a animação de subir escada… e mesmo assim, é uma coisa tão irrelevante e mínima em comparação ao resto que chega a parecer implicância da nossa parte.

Braid é um dos jogos mais intrigantes e tocantes desta geração. Misturando ação de plataforma, solução de quebra-cabeças e manipulação do tempo – isto e pintura, poesia e literatura, e até mesmo física quântica – este é o tipo de game que não se vê todo dia. Ao mesmo tempo em que tira o chapéu para outros clássicos do videogame (incluindo Super Mario Bros., Elevator Action e Donkey Kong entre outros), o jogo surpreende ao oferecer situações em que o jogador precisa pensar fora da caixa, tendo que levar em conta fluxos de tempo diferentes, memorização de eventos a serem solucionados posteriormente com aquela rebobinada conveniente, e até mesmo contar com a ajuda de seu próprio personagem em outra corrente temporal. Não contente com isto, a apresentação geral parece saída de um sonho: os cenários e personagens que lembram ao movimento impressionista, as músicas estilo folk com arranjos de cordas, o ótimo texto na entrada de cada fase… por mais que se trate de um jogo de curta duração, o tempo poderá parecer tão irrelevante ao jogador quanto ao bravo Tim em busca de sua inalcançável Princesa.

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